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Infra avalia ajustes no projeto do trecho Salgueiro–Suape da ferrovia

No sexto encontro do Conexões Transnordestina, diretor da Infra diz que pode rever alguns aspectos técnicos do trecho Salgueiro-Suape, caso haja "estudos consistentes"
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O último encontro do Conexões Transnordestina ocorreu no auditório do centro administrativo de Suape. Foto: Ricardo Labastier/ Sudene

A Infra S. A. já considera a possibilidade de fazer mudanças no projeto da ferrovia Transnordestina em Pernambuco. Nesta terça-feira (18), no evento final do Conexões Transnordestina, o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Luis Ludolfo, afirmou que, caso haja “estudos consistentes” a estatal vai analisar a possibilidade de modificar algumas questões técnicas que fazem parte do antigo projeto no trecho entre Salgueiro e Suape.

“A gente vai analisar as contribuições (do evento), e posteriormente, quando a gente for executar a parte de superestrutura, certamente vamos ter algum estudo, alguma motivação para tomar a melhor decisão: se vai ser a bitola mista ou a larga”, disse o executivo depois da sua apresentação no encerramento do ciclo do seminário promovido pelo portal Movimento Econômico, no Centro Administrativo do Porto de Suape.

Os especialistas em transporte que participaram de outras edições do Conexões Transnordestina, como os professores Maurício Pina e Fernando Jordão, defenderam que a bitola larga não era a mais adequada para o transporte de cargas de densidades leve e média, como as previstas para serem movimentadas no trecho Salgueiro-Suape, como por exemplo, a a gipsita, grãos e combustíveis, entre outras.

Responsável pela retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina, a Infra S.A. lançou, no dia 31 de outubro, um edital para contratar uma empresa para fazer o projeto executivo e retomar as obras do trecho pernambucano da ferrovia. A concorrência vai contratar uma empresa para construir a infraestrutura de 73 km que ligam Custódia a Arcoverde com um orçamento estimado em R$ 415 milhões. Neste caso, a infraestrutura é fazer a terraplenagem e a movimentação de terra, deixando a plataforma pronta para receber os dormentes e trilhos, que formam a superestrutura da ferrovia.

André Luis Ludolfo disse também que a estatal vai fazer outra licitação, ainda este ano, para contratar uma empresa que faça a fiscalização das obras do trecho Custódia-Arcoverde. A expectativa é de que as obras deste trecho comecem no primeiro trimestre de 2026 já que a abertura das propostas ocorre no dia 08 de janeiro.

Segundo Ludolfo, no próximo semestre, devem ser realizadas as licitações para as obras de mais três trechos da Ferrovia Salgueiro-Suape: o SPS6 (Pesqueira-Cahoeirinha), o SPS 7 (Cachoeiriha-Belém de Maria) e o SPS (Arcoverde-Pesqueira).

Já com relação aos helpers, uma terceira locomotiva necessária para tracionar o trem, quando há grandes declives ou rampas, Ludolfo afirmou que a Infra trabalha com declives mais suaves do que as inicialmente previstas no projeto do trecho Salgueiro-Suape realizado pela TLSA, concessionária que fez o projeto das obras iniciadas em 2006. Segundo o diretor, “no nosso entendimento não está previsto helpers. E essa é uma preocupação exagerada”, comentou Ludolfo.

O projeto original da Transnordestina previa a presença de helpers em 88 km do trecho Salgueiro-Suape e isso retiraria a competitivade desta ferrovia, quando comparasse com o trecho Salgueiro-Pecém, que não vai precisar destes helpers.

No projeto original, a Transnordestina começava na cidade de Eliseu Martins, no Piauí, seguia até Salgueiro e depois se dividia em dois grandes ramais: um que iria para Suape, em Pernambuco, e outro para o Porto de Pecém, no Ceará. O que chegaria em Suape está com as obras paralisadas desde 2016. O que segue para Pecém teve as suas obras retomadas em 2023 e deve ficar pronto em 2027.

Foram discutidos ajustes no projeto do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina. Foto: Paullo Almeida/Folha de Pernambuco

Conexões Transnordestina

O seminário Conexões Transnordestina lotou o auditório do entro administrativo de Suape com um público formado por empresários, especialistas do setor de transporte, técnicos do governo do Estado. Antes de chegar a Suape, o evento passou por cinco cidades: Salgueiro, Petrolina, Araripina, Belo Jardim e Caruaru.

A sexta edição do evento contou com a participação da governadora Raquel Lyra, que recebeu a Carta de Suape assinada por representantes de 14 instituições, falando da importância da retomada das obras Salgueiro-Suape e indicando alguns ajustes que podem ser feitos no projeto. “A Transnordestina é de grande importância para que possamos garantir a competitividade para Pernambuco”, argumentou a governadora Raquel Lyra, acrescentando que é necessária uma união e mobilização política em torno do projeto.

O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, comentou que os debates gerado pelo evento agregaram bastante, porque trouxe o conhecimento de uma obra que é estruturante, importante e necessária para todo nosso estado e toda a região. “Esse movimento, chega ao seu final com bastante êxito e sucesso naquilo que foi pretendido, que foi trazer para a sociedade um debate que está na ordem do dia, que é melhoria para o Estado, mecanismo que a gente possa induzir o crescimento do Estado de Pernambuco”

O presidente do Grupo EQM e presidente do Movimento Econômico, Eduardo de Queiroz Monteiro, argumentou que a Transnordestina não só uma ferrovia, mas um eixo de desenvolvimento, uma ferrovia de integração. “Pernambuco é um estado muito cumprido, de logística muito difícil e nós não podemos prescindir do caráter estratégico dessa obra, que ao meu ver tá muito acima das questões políticas. Nós temos que unir Pernambuco e eu acho que é esse movimento que o Movimento Econômico tem feito, de trazer essa pauta independente da cor partidária, da ideologia política. Nós estamos aqui discutindo o que é melhor para o desenvolvimento de Pernambuco”, contou o empresário.

Também participaram do evento o presidente da Adesa, Daniel Torres Araripe que entregou a Carta de Suape a governadora Raquel Lyra; o professor e especialista em transporte, Maurício Pina; o professor da UPE Guilherme Magalhães; e a jornalista e CEO do Movimento Econômico, Patrícia Raposo, que fez a mediação do debate. “Desde julho, que percorremos cidades do Sertão e Agreste. Era preciso ouvir a população local, os gestores, os empresários, entender os desafios desta obra que tem o poder de transformar a economia de Pernambuco.

O Conexões teve seis edições e passou pelas cidades de Salgueiro, Petrolina, Araripina, Belo Jardim e Caruaru antes de chegar em Suape, mostrando o impacto e o tipo de carga que poderia usar o trecho Salgueiro Suape em cada uma dessas regiões. O evento é uma realização do Movimento Econômico e contou com o patrocínio da Sudene e do Porto de Suape.

Também presente no seminário, o prefeito de Salgueiro, Fabinho Lisandro, destacou os debates realizados sobre a Transnordestina. “Iniciamos essa discussão na cidade de Salgueiro, que é o ponto de interseção da Transnordestina. Pernambuco não pode mais perder oportunidades, essa tem sido a tônica”, destacou o gestor municipal. 

Também acompanharam o evento o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti; o presidente do Complexo Industrial Portuário de Pernambuco, Armando Monteiro Bisneto; o especialista em Transporte, Fernando Jordão, o prefeito de Agrestina, Josué Mendes, entre outros

Situação da ferrovia Salgueiro-Suape

O trecho Salgueiro-Suape teve suas obras iniciadas em 2006. Com uma extensão de 544 km, as obras estão paralisadas, pelo menos, desde 2016. Em Pernambuco, 179 quilômetros da rodovia estão concluídos, o que representa 38% da obra no Estado.

A previsão é de que o trecho Salgueiro-Suape seja concluído em 2029 com a futura retomada das obras. A intenção do governo federal é bancar o início das obras com recursos públicos e depois fazer uma licitação para uma empresa privada operar o trecho pernambucano ou via concessão ou por uma Parceria Público-Privada (PPP).

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