Lula: “dinheiro bom é dinheiro transformado em obra”

O presidente quer tirar do papel as obras do PAC e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a meta de zerar o déficit das contas públicas em 2024
Reunião do presidente Lula nesta sexta-feira (03) com os ministros da área de infraestrutura e economia para discutir investimentos. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “dinheiro bom é dinheiro transformado em obras” na abertura de uma reunião com nove ministros nesta sexta-feira para tratar de investimentos a serem realizados pelo governo federal. Ele pediu para que as obras avancem no País. A declaração ocorre depois de uma semana marcada por discussões que ocorreram em torno do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defende a meta de zerar o déficit das contas públicas em 2024.

Para zerar o déficit das contas públicas, o governo federal deveria gastar menos em 2024, que é ano eleitoral. Ainda na reunião, o presidente afirmou que “se o dinheiro estiver circulando e gerando emprego é tudo que um político deseja”. Lula também pediu para a realização das obras não “repetir possíveis equívocos”, aplicando na totalidade os recursos dos ministérios, previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ainda no evento, Lula comentou que Haddad é importante como “o libertador do dinheiro” e é “o cara que coloca dinheiro nos ministérios”. E deu mais um recado ao ministro: “A gente não pode deixar sobrar dinheiro que está previsto para ser investido”.

O presidente usou as redes sociais para falar sobre a reunião. “Muita gente esticando o feriado, mas nós estamos reunidos com ministros para discutir projetos de infraestrutura para o país. Ainda teremos, neste ano, reuniões das pastas de serviços, áreas sociais e, por fim, uma reunião ministerial de avaliação no final do ano”, disse ele por meio do X (antigo Twitter).

É como o intervalo entre o primeiro e segundo tempo. O primeiro está terminando e faremos um balanço final, para não repetir possíveis equívocos e continuar trabalhando para melhorar a vida das pessoas. Nós assumimos o compromisso de tirar o Brasil da letargia em que estava. E estamos apenas começando”, acrescentou.

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A reunião contou com a participação do vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin (MDIC); do ministro da Casa Civil, Rui Costa; e dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; dos Transportes, Renan Filho; de Portos e Aeroportos, Silvio Costa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; das Comunicações, Juscelino Filho; da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; das Cidades, Jader Filho; e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Paulo Pimenta.

Lula conversa com presidente da Espanha

Mais cedo, Lula conversou, por telefone, com o presidente da Espanha, Pedro Sánchez. O diálogo durou cerca de 30 minutos. Em nota, o Palácio do Planalto informou que o tema principal foi a necessidade de acelerar a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Para a próxima semana, está prevista nova rodada de negociações entre os dois blocos. Na conversa de hoje, os dois presidentes compartilharam sobre a expectativa de finalização do acordo. Lula, segundo o Palácio do Planalto, ressaltou que as negociações já duram 22 anos. Nesse sentido, o presidente brasileiro voltou a criticar as exigências adicionais colocadas pela União Europeia na área ambiental.

Lula ressaltou os progressos colocados em prática pelo Brasil para avançar na questão da transição energética. Lula lembrou que 80% da matriz energética brasileira são limpos, e que o país também tem enfrentado “graves efeitos das mudanças climáticas, como a atual seca na Amazônia”, disse ele ao ressaltar que levará à COP28, em Dubai, “uma proposta comum com os demais países com grandes reservas florestais tropicais”.

Na conversa com Sánchez, Lula voltou a reafirmar a posição brasileira de restringir, no acordo, o acesso a compras governamentais, particularmente em função da necessidade de reindustrialização do Brasil e demais países do bloco sul-americano. Falou também sobre a aprovação, pelo Congresso Nacional, da entrada da Bolívia no Mercosul.

“O presidente Sánchez demonstrou concordância com a necessidade de acelerar a finalização do acordo e que ele deve se basear em uma relação de confiança mútua. Salientou, neste sentido, a disposição demonstrada pela Comissão Europeia e se predispôs a manter novas conversas em alto nível com vistas a concluir o acordo com brevidade”, informou – por meio de nota – o Palácio do Planalto.

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