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Alagoas entra em 2026 com incertezas sobre as eleições estaduais

Enquanto disputa pelo governo segue indefinida, tendência é de embate nas eleições entre Renan Calheiros e Arthur Lira ao Senado
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Paraná pesquisa governo de Alagoas eleições
Prefeito de Maceió, JHC, e ministro dos Transportes, Renan Filho, vêm liderando pesquisas de intenção de voto para eleições ao governo de Alagoas. Foto: Divulgação

O ano de 2026 já se inicia com as atenções voltadas para as eleições que serão realizadas em outubro. Em Alagoas, o cenário político ainda é cercado de incertezas e expectativas. A principal delas é saber se a disputa pelo governo do estado terá um embate entre o ministro dos Transportes, Renan Filho e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC.

As principais pesquisas de intenção de voto feitas até agora revelam que Renan Filho e JHC aparecem próximos e, por enquanto, apontados como os únicos postulantes ao cargo de governador de Alagoas. No dia 12 de dezembro, o Instituto Paraná Pesquisas divulgou pesquisa onde JHC, aparece com 47,6% das intenções de voto, enquanto o atual ministro dos transportes, Renan Filho, aparece com 40,9%.

Renan Filho é o único que até o momento confirmou que irá deixar o Ministério dos Transportes para disputar as eleições e o governo de Alagoas. Em entrevista no programa Bom Dia, Ministro, veiculado em 10 de dezembro, o ministro confirmou que teve uma longa conversa com o presidente Lula sobre sua decisão em deixar a pasta para retornar ao Senado Federal e se preparar para a disputa majoritária em Alagoas.

Durante a entrevista, o ministro disse ainda que o presidente Lula chegou a pedir para ele permanecer no cargo, mas Renan contou que tem um compromisso com Alagoas e o seu grupo político local, visando garantir o crescimento do estado nos próximos anos.

Eu serei candidato nas eleições para que o estado possa dar um novo salto em desenvolvimento. Eu já fui duas vezes governador, agora o governador Paulo Dantas vem fazendo um grande governo e eu acredito que o Nordeste do Brasil tem condição de dar novos saltos, seguir melhorando a renda das pessoas”, disse o ministro Renan Filho.

O prefeito JHC, por sua vez, evita comentar publicamente sobre a sucessão estadual e mantém foco na gestão de Maceió. A postura, interpretada por aliados como estratégica, mantém seu nome fora da polarização antecipada para as eleições, ao mesmo tempo em que alimenta especulações nos bastidores sobre uma possível candidatura.

Analistas políticos apontam que há, nos bastidores, especulações sobre um possível acordo entre Calheiros e Caldas, costurado pelo presidente Lula, em troca da nomeação de Marluce Caldas, tia do prefeito de Maceió, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ela foi a escolhida pelo presidente para a vaga. Com isso, o prefeito de Maceió não disputaria as eleições e o candidato seria Renan Filho.

Arthur Lira reagiu ao movimento de Renan Calheiros e articulou a aprovação na Câmara da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil Fotos: Agência Câmara e Senado
Arthur Lira e Renan Calheiros devem se encontrar na disputa para uma vaga ao Senado durante eleições em Alagoas. Fotos: Agência Câmara e Senado

Já a pesquisa para o senado em Alagoas possui dois nomes que aparecem em evidência na preferência das pessoas, mas também revela que alguns candidatos podem fazer a diferença.

Segundo a Paraná Pesquisas, no cenário estimulado Renan Calheiros lidera com 48,2% enquanto Arthur Lira aparece com 44,5%.

Operações da PF e Banco Master podem refletir nas eleições

Algumas operações realizadas pela Polícia Federal em Alagoas ao longo de 2025 também terão peso político nas eleições. Em novembro, a PF prendeu um empresário suspeito de corrupção ativa. Ele estava dentro da sede da prefeitura de Murici com uma quantia de R$ 270 mil em espécie.

A suspeita da Polícia Federal é que os valores estejam relacionados ao pagamento de propina para facilitar a celebração de contratos públicos.

O prefeito de Murici é Remi Filho, sobrinho do senador Renan Calheiros. O caso segue em investigação e sem pronunciamentos a respeito.

operação PF em Murici
Empresário foi preso na sede da Prefeitura de Murici com R$ 270 mil em espécie. Foto: Polícia Federal

Em dezembro, a Polícia Federal realizou uma operação na Secretaria de estado da Saúde de Alagoas, que resultou no afastamento do secretário, Gustavo Pontes de Miranda. A operação investiga o desvio de R$ 100 milhões em contratos emergenciais e ressarcimentos fraudulentos envolvendo ao SUS e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), empresas privadas e agentes públicos.

O governador Paulo Dantas afastou o secretário, instituiu uma comissão para apurar as irregularidades e disse, por meio de nota, que “não compactua com qualquer tipo de irregularidade, especialmente quando envolve recursos públicos destinados à saúde”. Dantas também tem dado sinais de que pode concluir seu mandato de governador, apesar de alguns analistas de política indicarem que há a possibilidade de o atual chefe do executivo concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Outra operação da PF com reflexos no meio político alagoano mirou Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado federal Arthur Lira. A Polícia Federal apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos usados por Mariângela na Câmara dos Deputados e em seu apartamento, em Brasília. A ação apura supostas irregularidades em emendas parlamentares.

No ano de 2004 o PSOL entrou com ação no Supremo Tribunal Federal questionando a liberação de mais de 5,4 mil emendas ao Orçamento, no valor de mais de R$ 4 bilhões. Segundo o PSOL, as liberações não foram registradas em atas e parte das emendas tiveram alteração de destino em favor de Alagoas, estado de Lira.

Por fim, a liquidação do Banco Master, anunciada em 19 de novembro repercutiu no setor público de Maceió. O motivo é a exposição do Maceió Previdência (Iprev), que tem cerca de R$ 97 milhões aplicados em letras financeiras emitidas pela instituição. Em nota, o Maceió Previdência afirmou que os pagamentos aos aposentados e pensionistas estão garantidos e seguirão normalmente.

O Iprev informou ainda que está em contato com os órgãos reguladores para acompanhar o processo de liquidação da instituição financeira e buscar orientações quanto à devolução dos recursos.

A repercussão local foi ampliada pela conexão entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que assumiu a folha de pagamento dos servidores da Prefeitura de Maceió. O primeiro pagamento aos servidores sob a gestão do BRB foi realizado em outubro.

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