
A maior obra hídrica de Alagoas começa a ganhar funcionalidade prática com a implantação do primeiro perímetro irrigado ligado ao Canal do Sertão. O projeto Gavião, localizado no município de São José da Tapera, representa um marco para a agricultura familiar do estado e recebeu investimento de R$ 20 milhões do Tesouro Estadual. Com 90% das obras concluídas, o projeto deve ser entregue ainda este ano, segundo o Governo de Alagoas.
Executado pelas secretarias estaduais da Agricultura (Seagri) e da Infraestrutura (Seinfra), o perímetro contará, quando concluído, com uma área de 240 hectares de superfície agrícola útil, divididos em 19 lotes, com foco em atividades agrícolas e pecuárias. A expectativa é que, uma vez finalizado, o Gavião promova uma nova dinâmica de uso da água no Alto Sertão, onde o Canal do Sertão corta o semiárido, mas até hoje servia majoritariamente para abastecimento humano.
“A obra do Perímetro Irrigado do Gavião é um dos grandes investimentos do governo Paulo Dantas. Já está 90% concluída e seguimos firmes com o nosso cronograma para entregar tudo pronto nos próximos 100 dias. Esta é uma transformação que vai muito além da infraestrutura, é a esperança de dias melhores para centenas de famílias da região, que há tanto tempo sonham com mais oportunidade, renda e dignidade no campo”, afirma o secretário de Infraestrutura de Alagoas Gustavo Torres.

Canal do Sertão vai ampliar agricultura no semiárido alagoano
O projeto-piloto será o primeiro a utilizar efetivamente a água do Canal do Sertão para fins produtivos, incorporando tecnologias como irrigação por gotejamento e microaspersão, que garantem maior eficiência no uso da água e permitem o cultivo de hortaliças, frutas e grãos com menor impacto ambiental. De acordo com o planejamento da Seagri, os lotes serão destinados a pequenos produtores, com prioridade para agricultores familiares e cooperativas, por meio de edital público.
A secretária de Agricultura e Pecuária, Aline Rodrigues, destaca o potencial transformador da iniciativa. “O Canal do Sertão é a maior obra hídrica do nosso estado e já está permitindo acesso à água para que os produtores possam produzir. Essa é uma das prioridades do governo Paulo Dantas. O projeto Gavião é inovador porque traz água e capacidade hídrica para desenvolver as culturas”, afirmou.
Hoje, mais de 97% da área irrigada mapeada de Alagoas está concentrada na zona da mata, voltada principalmente para o cultivo de cana-de-açúcar. Com a instalação de perímetros irrigados no semiárido, o governo pretende descentralizar esse modelo e estimular novas cadeias produtivas no interior do estado. Cada lote do Gavião terá, em média, capacidade de gerar de 10 a 15 empregos diretos.
Além da entrega física da infraestrutura, que já conta com 16 dos 19 reservatórios finalizados, o projeto prevê o lançamento de editais para concessão do uso da terra, com critérios técnicos e sociais. Um dos lotes será reservado exclusivamente para fins de pesquisa, transferência de tecnologia e capacitação de agricultores irrigantes. A instituição gestora será definida por meio de chamamento público.

Sebrae e Embrapa vão apoiar iniciativas entre agricultores
A articulação interinstitucional também tem sido peça-chave no avanço do projeto. Representantes da Seagri, do Sebrae Alagoas e da Embrapa definiram uma comissão técnica para alinhar ações na região do Canal do Sertão, com foco em assistência técnica, experimentação agrícola e transferência de tecnologias. O Centro Xingó de Convivência com o Semiárido, em Piranhas, será a base para atividades de formação e experimentação.
“O Governo de Alagoas tem todo o interesse em disponibilizar o espaço para que esses órgãos, de forma conjunta, possam trabalhar no centro, que já serve como ferramenta para desenvolvimento para a região”, explicou Aline Melo, secretária executiva de Políticas Agropecuárias.
A Embrapa, por sua vez, já realiza experimentos com espécies agrícolas mais tolerantes ao calor no Alto Sertão e aposta na possibilidade de transformar a região em um polo de produção de mudas e horticultura. Para o Sebrae, a atuação integrada tende a ampliar os resultados. “Nós queremos contribuir para as ações que já estão em andamento, realizar um trabalho integrado e potencializar os resultados, principalmente na área de assistência técnica na região”, afirmou Carlos Henrique, gerente de Competitividade do Sebrae Alagoas.
Com ações complementares como os Módulos Irrigados de Produção (MIPAs) e kits de irrigação, a Seagri já começa a transformar a realidade de produtores da região. De 2023 a 2024, foram atendidas quase 150 famílias em municípios como Delmiro Gouveia, Olho d’Água do Casado e São José da Tapera. Um dos beneficiários, o agricultor Francisco da Silva, destaca a diferença que os investimentos fizeram: “Antes, eu tinha que mudar a área de plantio porque não tinha mangueira de gotejo. Agora melhorou muito e vai melhorar ainda mais”, comemorou.
Com a conclusão das obras e a distribuição dos lotes prevista para os próximos meses, o Perímetro Gavião desponta como uma das principais apostas do Governo de Alagoas para gerar emprego, diversificar a produção agrícola e dar finalmente uma função estruturante ao Canal do Sertão, que começou a ser construído há mais de 30 anos e agora começa a mostrar seu potencial produtivo.

Trecho 5 do Canal do Sertão recebe R$ 565 milhões em investimentos federais
Paralelamente à implantação do Perímetro Irrigado Gavião, seguem as obras do Trecho 5 do Canal do Sertão, um dos maiores empreendimentos de infraestrutura hídrica do estado. A nova etapa, que teve ordem de serviço assinada durante visita do presidente Lula em maio de 2024, está orçada em R$ 565,9 milhões e faz parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com 26,6 km de extensão, o trecho vai beneficiar os municípios de São José da Tapera, Monteirópolis e Olho D’Água das Flores, ampliando o acesso à água para consumo humano e irrigação de cerca de 3 mil hectares.
Além do impacto direto na segurança hídrica e produtiva da região, a obra também tem gerado empregos. O secretário de Infraestrutura de Alagoas, Gustavo Torres, destacou que o canal “não é apenas uma obra de abastecimento de água. Ele representa a transformação da realidade do semiárido alagoano”, disse. A primeira entrega do novo trecho, com 4 km de extensão, está prevista para dezembro deste ano.
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