
O Aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, recebeu nesta segunda-feira (1º) uma sala multissensorial voltada a passageiros com espectro autista. Durante a inauguração do espaço, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, confirmou que a iniciativa será estendida ao futuro Aeroporto de Maragogi e ao Porto de Maceió. A meta, segundo o ministro, é que todos os aeroportos das capitais brasileiras contem com uma sala do tipo até 2026.
A entrega da sala em Maceió marca a décima unidade instalada no país dentro do programa nacional de inclusão voltado a passageiros neurodivergentes, especialmente crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA). A iniciativa foi desenvolvida pelo ministério em parceria com a sociedade civil e operadores privados, como a Aena Brasil.
“Já conversei com o governador Paulo Dantas sobre Maragogi, e estamos dialogando com a direção do Porto de Maceió para implantar o mesmo modelo por lá, sobretudo pensando no fluxo de cruzeiros”, disse Silvio Costa Filho durante a coletiva.
Modelo será replicado no aeroporto de Maragogi e no Porto de Maceió
A ideia de expandir a sala multissensorial para o Porto de Maceió chama atenção por tratar-se de um novo modal. Segundo o ministro, o terminal portuário da capital, que recebe navios de cruzeiro, também deve passar a contar com um ambiente dedicado ao acolhimento de pessoas neurodivergentes.
Além disso, a estrutura será incorporada ao projeto do novo Aeroporto de Maragogi, em construção no Litoral Norte. “Queremos levar essa política para onde houver transporte de passageiros em grande escala. A prioridade é garantir conforto, dignidade e acessibilidade a quem mais precisa”, afirmou o ministro.

O modelo adotado em Maceió está instalado no embarque internacional do Aeroporto Zumbi dos Palmares, mas estará disponível também para passageiros de voos domésticos. O uso da sala é gratuito, com funcionamento 24 horas por dia, e capacidade para até oito pessoas.
Criado pelo Ministério de Portos e Aeroportos em articulação com o Congresso Nacional, o programa das salas multissensoriais é considerado pela pasta como a primeira política pública de inclusão voltada ao setor aéreo brasileiro. A meta, segundo o ministro, é implantar a estrutura em todos os aeroportos das capitais nos próximos 12 meses.
Com o apoio de concessionárias como a Aena Brasil, o governo já inaugurou salas em aeroportos de Congonhas (SP), Recife, Aracaju, Campo Grande e João Pessoa. Outras estão em fase de implantação.

“É uma ação que passa por inclusão, acessibilidade e respeito. Um programa que toca a alma da gente”, disse Silvio Costa Filho.
As salas são equipadas com tecnologias de descompressão sensorial, voltadas ao atendimento de passageiros com hipersensibilidade a luz, som e movimento. O espaço inclui iluminação suave, mobiliário adaptado, isolamento acústico e recursos interativos. O ambiente também oferece controle via dispositivos móveis, QR Code e assistentes em múltiplos idiomas, com inteligência artificial.
A infraestrutura foi desenvolvida em parceria com empresas especializadas em acessibilidade e segue padrões internacionais. Segundo a Aena, todos os funcionários do terminal passaram por sensibilização para garantir um atendimento adequado desde a entrada do passageiro no aeroporto até o embarque.
Durante a cerimônia, Silvio Costa Filho fez questão de associar o programa à sua vivência pessoal. Ele é padrinho de uma criança com espectro autista. “Sei do dia a dia de um pai, de uma mãe, de um avô, de um tio. Essas salas são um gesto de humanidade, de cuidado, de respeito às famílias brasileiras”, disse.
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