
Gilbués, situado na microrregião do Alto Médio Gurguéia, com população de 11 mil habitantes em 2024, voltará a ter protagonismo como centro de pesquisa de áreas degradadas no Nordeste. O município piauiense está localizado em uma das quatro principais zonas de desertificação da região, ao lado de Cabrobó (PE), Seridó (RN) e Irauçuba (CE).
Nesta terça-feira, 17 de junho, Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o governo do estado anuncia novas ações ambientais com foco na proteção do solo e na recuperação de áreas degradadas, especialmente no cerrado e no semiárido piauiense. Entre os destaques está a reativação do Núcleo de Pesquisa em Recuperação de Áreas Degradadas (Nuperade), instalado em Gilbués desde 2006.
O projeto do Nuperade já está em andamento em uma área de 10 hectares, com meta de alcançar a recuperação de até 1.600 hectares até 2029. A proposta envolve o plantio de espécies nativas e o uso de tecnologias que contribuem para restabelecer a produtividade do solo, transformando áreas improdutivas em espaços recuperáveis para uso agrícola sustentável.
“Estamos focados em recuperar o que foi destruído e evitar novos danos. O Nuperade é um exemplo disso, unindo ciência com ações práticas que podem ser levadas para outras regiões com os mesmos problemas”, afirmou Aline Araújo, analista ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).
Além do trabalho técnico, o estado vem cobrando responsabilidade ambiental de quem causou danos, inclusive em áreas de desmatamento autorizado, com exigência de reposição florestal prioritária em áreas degradadas. As equipes técnicas da Semarh acompanham de perto esses processos.
O Piauí também estruturou o Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-PI), um plano estratégico que reúne metas e diretrizes elaboradas em conjunto com especialistas, comunidades e órgãos públicos.
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Feliphe Araújo, a desertificação vai além do meio ambiente. “Desertificação é também um problema social. Quando a terra fica improdutiva, afeta a vida das famílias que dependem dela. Por isso, nossas ações têm um olhar integrado: proteger o meio ambiente e garantir qualidade de vida para as pessoas. Esse é o compromisso do Governo do Estado com as futuras gerações”, destacou.

Imagens de satélite e uso de drones em Gilbués
A promoção do Nuperade insere-se na Política Estadual de Combate à Desertificação e Recuperação de Áreas Degradadas, instituída em 2023, e em protocolos de cooperação com o Governo Federal, universidades, Embrapa, Fapepi e entidades privadas. O uso de tecnologias como imagens de satélite, monitoramento por drones e sistemas de alerta agiliza a identificação de áreas críticas e a resposta técnica.
Especialistas ressaltam que a desertificação no semiárido nordestino é agravada por mudanças climáticas, com chuvas mais concentradas em menor período e secas prolongadas, o que facilita a erosão intensa e o avanço das voçorocas. Gilbués exemplifica esse fenômeno, em que excesso de chuva de curta duração agride o solo e reduz a vegetação, intensificando o processo.
A mobilização local reúne esforços técnicos, pesquisa acadêmica e participação comunitária. A reativação do Nuperade, aliada à educação ambiental, viveiros de mudas nativas e fortalecimento da agricultura familiar, aponta para um modelo sustentável de recuperação. A meta: transformar Gilbués em exemplo replicável em todo o Nordeste, revertendo a degradação e reconstruindo a fertilidade do solo.
*Com informações do Governo do Piauí
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