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Sudene: isenção do IR deve injetar R$ 1,7 bilhão na economia do Nordeste

Renda extra prevista pela isenção deve beneficiar setores como comércio, alimentação e vestuário, com estímulo direto à atividade econômica regional, aponta a Sudene
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Feira de Caruaru, considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2006, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, movimenta toda a economia de uma região e pode ter mais vendas com a isenção do IR. Foto: Jorge Farias/Prefeitura de Caruaru Sudene
Feira de Caruaru, considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2006, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, movimenta toda a economia de uma região e pode ter mais vendas com a isenção do IR. Foto: Jorge Farias/Prefeitura de Caruaru

A nova política de isenção do imposto de renda pessoa física (IRPF), que entra em vigor a partir de janeiro de 2026, deve gerar uma injeção anual de R$ 1,7 bilhão na economia do Nordeste, de acordo com estimativa da unidade de Estudos e Pesquisas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

A medida, prevista na Lei nº 15.250/2025, estabelece isenção para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, além de descontos progressivos para rendimentos até R$ 7.350. A renúncia fiscal nacional projetada pelo Governo Federal é de R$ 25,8 bilhões, sendo que a área de atuação da Sudene — que abrange os nove estados do Nordeste, o norte de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo — responde por cerca de 7% desse total.

A estimativa da Sudene aponta que a nova política tributária resultará em um acréscimo de aproximadamente R$ 126,7 milhões mensais de renda disponível no Nordeste. A Bahia lidera com 31,47% do total, o que representa cerca de R$ 40 milhões por mês, seguida por Pernambuco (21,06%), com R$ 27 milhões, e Ceará (16,02%), com aproximadamente R$ 20 milhões mensais. Juntos, esses três estados concentram 68,55% do impacto regional estimado.

Maranhão (8,60%), Rio Grande do Norte (5,79%), Paraíba (5,09%), Alagoas (4,65%), Piauí (3,71%) e Sergipe (3,61%) completam a distribuição. Os valores mensais variam de cerca de R$ 5 milhões nos menores estados até a faixa de R$ 11 milhões nas unidades federativas com maior massa salarial formal.

Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a medida contribui diretamente para o fortalecimento da atividade econômica regional. “A ampliação da isenção do imposto de renda cria condições reais para que mais trabalhadores movimentem o comércio, estimulem a produção e fortaleçam a economia regional”, afirmou.

Estímulo ao consumo deve gerar impacto superior a R$ 2 bilhões

A Sudene estima que, mesmo com o valor de referência de R$ 1,7 bilhão, o impacto anual pode se aproximar de R$ 2 bilhões, devido ao efeito multiplicador da renda sobre o consumo. A autarquia destaca que esse estímulo incide especialmente sobre famílias com alta propensão ao consumo, cuja renda adicional é direcionada majoritariamente para alimentação, vestuário, bens duráveis e serviços essenciais.

De acordo com o economista da Sudene, Miguel Vieira, o aumento da renda disponível provocado pela isenção deve modificar o comportamento de consumo da população beneficiada.

Segundo ele, “os consumidores podem optar por fazer uma feira maior, por exemplo, adicionando itens que não costumavam adquirir antes. Ou direcionar para a aquisição de outros bens como roupas, calçados e até eletrodomésticos. Por outro lado, o estímulo gerado pela renda extra pode fazer até com que as empresas tomem mais empréstimos para expandir a produção”, explicou.

Estudos complementares do Banco do Nordeste indicam que, considerando os efeitos diretos e indiretos da medida sobre o consumo e a produção, o impacto total na economia da região pode ultrapassar R$ 8 bilhões, movimentando cadeias produtivas locais e aumentando a demanda por crédito, emprego e investimentos. O aumento da renda disponível das famílias é considerado um dos vetores mais eficazes para ativar economias com alta informalidade e forte dependência do consumo interno.

Metodologia considera vínculos formais e projeções por faixa de renda do IR

A metodologia do estudo distribuiu os vínculos empregatícios por faixa de renda, utilizando a calculadora de desconto do IR do Dieese e os parâmetros da Lei nº 15.270/2025, aplicados à massa de trabalhadores formais da região. Os cálculos indicam que os impactos são proporcionais à estrutura ocupacional de cada estado, o que explica a concentração nos três maiores colégios eleitorais e econômicos da região.

A última correção da tabela do IR havia ocorrido em 2023, quando a faixa de isenção foi ampliada para R$ 2.640 mensais. Com a nova política, o governo busca ampliar a progressividade tributária, princípio que garante proporcionalidade na cobrança de impostos segundo a renda.

A medida é apontada por especialistas como uma correção necessária após anos de defasagem e atende reivindicações históricas de centrais sindicais e entidades do campo econômico. A ampliação da isenção tem potencial para reduzir desigualdades regionais e estimular o mercado interno, especialmente em regiões com maior concentração de trabalhadores formais com rendimentos entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.

*Com informações da Sudene

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