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Grupo Mateus é o único do Nordeste no top 10 de varejo no Brasil do IRTT

Rede maranhense aparece em 7º lugar nacional enquanto as outras redes e varejo do Nordeste ficaram fora do ranking do Instituto Retail Think Tank
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Ilson Mateus, fundador da rede de supermercados Mateus, transformou negócio familiar no Maranhão na maior operação de varejo do Nordeste. Foto: Divulgação
Ilson Mateus, fundador da rede de supermercados Mateus, transformou negócio familiar no Maranhão na maior operação de varejo do Nordeste. Foto: Divulgação

O Grupo Mateus é a única empresa com sede no Nordeste entre as dez maiores varejistas do país, segundo o levantamento mais recente do Instituto Retail Think Tank (IRTT), publicado no final de agosto. A rede maranhense ocupa a 7ª posição nacional, com R$ 30,1 bilhões em faturamento bruto em 2024.

O grupo opera mais de 270 lojas em nove estados, com presença consolidada no Maranhão, Pará e Piauí, e expansão recente para Pernambuco, Bahia, Alagoas e Ceará. A companhia também já anunciou planos de entrada em outros mercados do Norte e Centro-Oeste até 2026.

Fundador da rede, Ilson Mateus começou a trajetória empresarial como feirante no interior do Maranhão e transformou o negócio familiar em um dos maiores conglomerados de varejo do país. A empresa tem capital aberto desde 2020 e é listada na B3. Segundo ranking da Forbes, Ilson Mateus figura entre os bilionários brasileiros com fortuna estimada em US$ 1,9 bilhão em 2024.

O levantamento do IRTT tem como objetivo identificar, classificar e monitorar as maiores empresas do varejo nacional com base no faturamento bruto anual. A pesquisa busca oferecer um retrato consolidado da estrutura do varejo brasileiro, permitindo comparar o desempenho das empresas por segmento, porte e área de atuação. Para isso, o ranking considera apenas grupos com dados auditáveis e consolidados. O estudo também evidencia a concentração do mercado nas regiões Sul e Sudeste, além das desigualdades de escala e governança enfrentadas pelas redes regionais.

Segundo o IRTT, o setor de supermercados, hipermercados, atacarejos e lojas de conveniência concentrou 52,6% do faturamento das 300 maiores varejistas do Brasil no período analisado. O levantamento considera apenas empresas com dados financeiros auditáveis e receitas declaradas de forma consolidada. As informações têm como base o faturamento bruto com impostos.

Apesar da relevância regional, outras redes do Nordeste ficaram de fora da lista. Marcas como Novo Atacarejo, Atakarejo, Nordestão e Mercadinhos São Luiz não foram incluídas. O instituto explica que a ausência decorre da falta de dados disponíveis ou da não superação do corte mínimo de receita exigido. A maioria dessas empresas opera com capital fechado, estrutura familiar e presença restrita a seus estados de origem, o que limita a visibilidade financeira em âmbito nacional.

Abras reforça baixa inserção das redes nordestinas de varejo

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgou seu ranking anual em abril, com dados coletados em parceria com a NielsenIQ. O Grupo Mateus aparece na 3ª colocação nacional, com R$ 36,39 bilhões em vendas em 2024. Outras três redes do Nordeste integram a lista das 50 maiores: o Novo Atacarejo, com R$ 5,8 bilhões, ocupa a 19ª posição; o Atakarejo, com R$ 5,2 bilhões, está em 22º; e o Nordestão, com R$ 2,2 bilhões, figura em 44º lugar.

O site Movimento Econômico publicou análise sobre o levantamento em 15 de abril, destacando que, mesmo com o crescimento do consumo na região, a penetração das marcas nordestinas ainda é limitada. A falta de escala, o baixo número de lojas fora dos estados de origem e a ausência de capital aberto explicam parte dessa restrição.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, relaciona esse cenário à estrutura do setor: “As redes regionais do Nordeste apresentam bom desempenho no consumo local, mas ainda enfrentam dificuldades de escala para disputar com grupos de capital aberto em outras regiões”.

As estratégias de expansão das empresas seguem ativas. O Grupo Mateus prevê a instalação de novos centros de distribuição em Pernambuco e no Ceará até o fim de 2026. O Atakarejo planeja abertura de unidades no interior da Bahia e investimento em canais digitais. Nordestão e Mercadinhos São Luiz concentram recursos em logística e modernização de lojas existentes.

Segundo o índice SpendingPulse, da Mastercard, o Nordeste foi a região com maior crescimento do varejo em 2024, com alta de 8,3% nas vendas em relação ao ano anterior. O Ceará liderou no desempenho regional, com variação de 11,1%, impulsionada pelos segmentos de alimentos, vestuário e consumo básico.

O indicador é calculado a partir do volume real de transações no varejo físico e digital, sem relação com o levantamento do IRTT. A Abras, por sua vez, projeta expansão de 5,5% no setor supermercadista em 2025, com crescimento das redes regionais no modelo atacarejo e reforço em canais de autosserviço.

Leia mais: Era assim, fiquei assim: retrofit transforma pequenos varejos de PE

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