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China eleva tarifas sobre EUA para 125% e Xi Jinping convoca coalizão

Reforçando a posição de resistência da China, Xi afirmou que “não há vencedores em uma guerra comercial”
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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China
Xi Jiping, presidente da China/ Foto: Por President.az, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151289510

A guerra comercial entre China e Estados Unidos atingiu um novo ápice nesta sexta-feira, 11 de abril de 2025, com o anúncio de que Pequim elevará suas tarifas sobre produtos americanos de 84% para 125%. A medida é uma resposta direta ao novo pacote tarifário imposto pelo governo do presidente Donald Trump, que aumentou as tarifas sobre produtos chineses para 125%, com acréscimo de uma taxa base de 20%, elevando a carga total para 145%.

Em um cenário cada vez mais marcado pela retórica nacionalista e confronto econômico, o presidente chinês Xi Jinping adotou tom firme em suas primeiras declarações públicas após a escalada. Reforçando a posição de resistência da China, Xi afirmou que “não há vencedores em uma guerra comercial” e acusou os EUA de caminhar para o “autoisolamento”, ao confrontar não apenas Pequim, mas a comunidade internacional como um todo.

China: resposta diplomática

Segundo Xi, a trajetória de desenvolvimento da China nas últimas sete décadas foi construída sobre os pilares da autossuficiência e do trabalho interno, sem depender de ajuda externa. Ele enfatizou que o país continuará priorizando o fortalecimento de sua economia doméstica e a estabilidade produtiva, mesmo diante do que classificou como “opressões injustas” vindas de Washington.

Ao lado do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, durante reunião bilateral, Xi Jinping convocou a União Europeia a formar uma frente comum com a China contra o que chamou de “unilateralismo e coerção econômica” dos EUA. A iniciativa busca ampliar a cooperação internacional para defender os interesses comerciais dos países afetados pela nova configuração tarifária norte-americana.

Impactos imediatos e reações globais

A reação dos mercados financeiros foi imediata. Bolsas globais registraram queda acentuada diante do temor de novos desdobramentos na guerra comercial. Analistas apontam que os efeitos já começam a atingir cadeias globais de suprimento, principalmente nos setores de tecnologia, energia e alimentos. Produtos como gás natural, carvão e grãos americanos estão entre os mais prejudicados pelas novas tarifas chinesas.

Além das medidas de retaliação, a China apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as ações dos EUA ferem as normas internacionais do comércio multilateral. Segundo o Ministério do Comércio da China, a postura americana é “intimidatória” e carece de base econômica prática, sendo classificada como um “jogo de números” que pouco contribui para o equilíbrio das trocas comerciais globais.

Escalada sem sinais de trégua

A atual rodada de sanções comerciais sinaliza uma ruptura mais profunda entre as duas maiores economias do mundo. Embora a China tenha indicado que, por ora, não pretende ampliar suas tarifas além dos 125% já anunciados, Pequim deixou claro que novas contramedidas serão consideradas caso seus interesses sejam novamente ameaçados.

Por sua vez, os Estados Unidos justificam as tarifas como mecanismos para corrigir distorções históricas na balança comercial e combater práticas consideradas desleais. No entanto, cresce o isolamento da Casa Branca diante de críticas internacionais, que apontam os riscos sistêmicos da estratégia tarifária agressiva.

O que está em jogo

Mais do que uma disputa bilateral, a guerra comercial entre EUA e China já impacta a dinâmica do comércio global, trazendo insegurança jurídica, retração de investimentos e revisão de contratos internacionais. Economistas alertam que o prolongamento do conflito poderá reduzir o ritmo de crescimento da economia mundial em 2025, dificultando a recuperação de mercados emergentes e pressionando o consumo global.

Enquanto isso, a China segue apostando em resiliência e diplomacia para sustentar sua posição. “A oposição ao mundo não é sustentável”, declarou Xi Jinping, em um recado direto à estratégia isolacionista dos Estados Unidos. A postura de Pequim sinaliza um reposicionamento internacional mais proativo, que pode redefinir alianças geoeconômicas nos próximos meses.

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