
A cidade de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, passou a abrigar uma iniciativa de recuperação dos recifes de corais. A ação ocorre justamente em um momento em que a Justiça Federal intensifica ações contra danos ambientais na região. Mais de 1.200 fragmentos de corais já estão em cultivo, realizado pela Biofábrica de Corais, em um trabalho que busca reverter os impactos provocados pela ação humana e pelas mudanças climáticas.
Desde agosto de 2024, a startup Biofábrica de Corais — pioneira no país em turismo regenerativo — atua no litoral alagoano com o replantio de colônias fragilizadas, em uma ação desenvolvida em parceria com a prefeitura municipal e com apoio da Embratur.
O projeto desenvolvido em Maragogi é fruto de uma parceria entre a prefeitura local e a Embratur, com investimento total de R$ 150 mil. O contrato inicial com a gestão municipal foi firmado no valor de R$ 30 mil e prevê ações contínuas de monitoramento e expansão dos berçários marinhos.
Em entrevista ao Movimento Econômico, Matheus José, integrante da equipe técnica da Biofábrica de Corais explicou o trabalho da empresa e o processo de replantio de corais no Litoral Norte de Alagoas.
“Nosso trabalho começa com a coleta de fragmentos de corais que foram quebrados por colisões de embarcações, pisoteio ou a simples passagem de nadadores. Eles são levados para o laboratório que possui tanques com condições ideais para que possam se recuperar”, explicou.

A partir daí, esses fragmentos recebem estruturas impressas em 3D feitos com um material à base de milho, que facilita a regeneração biológica. O processo pode durar mais de três meses, até que os corais estejam prontos para retornar ao mar.
Segundo Matheus, a próxima etapa do processo é levar os fragmentos reabilitados para berçários submarinos instalados em áreas como a piscina natural Galés, onde ficam posicionados sobre estruturas de PVC, submersos a mais de três metros de profundidade. “Fazemos a limpeza diária desses berçários para evitar que algas ou sedimentos prejudiquem o crescimento. É um processo delicado, que depende do equilíbrio das condições ambientais”, destaca.
Segundo dados da Biofábrica, até o momento, mais de 1.200 novos fragmentos já estão em cultivo. Apesar do desafio imposto pelo recente branqueamento causado pelo aumento da temperatura do mar, a taxa de mortalidade registrada foi de 25%, índice considerado baixo e animador. A expectativa é que o projeto reimplante ao menos 500 colônias nas áreas degradadas. A Biofábrica também irá realizar a criação de sementeiras, o desenvolvimento de novos roteiros turísticos sustentáveis e o envolvimento direto da comunidade.
Justiça em alerta com o turismo predatório
A atuação da Justiça Federal tem atuado para promover medidas judiciais que preservem o meio ambiente e evitem a degradação da faixa de corais. Desde o ano passado, o Ministério Público Federal em Alagoas (MPF) vem solicitando à Justiça Federal a suspensão do turismo em áreas sensíveis, como a Lagoa Azul. A mais recente decisão, do último dia 15 de abril, mantém decisão proferida anteriormente pelo Tribunal Regional Federal da 5ª região (TRF5/AL), que suspendeu as atividades turísticas na referida lagoa.
A medida teve como base estudos que apontaram riscos à preservação dos recifes locais. “A decisão, fundamentada em critérios estritamente técnicos, rejeita claramente iniciativas que priorizam a exploração econômica sem a devida análise dos danos ambientais irreversíveis. O Judiciário reconheceu que não se pode flexibilizar a legislação ambiental em nome de interesses econômicos imediatos”, destacou o procurador da República Lucas Horta, responsável pelo caso.
Educação e ações de preservação dos corais impulsionam economia
As iniciativas, tanto no campo jurídico quanto no de preservação ambiental, buscam amenizar a degradação que vem sendo acelerada por conta de mudanças climáticas que impactam no ecossistema marinho em várias partes do mundo.

A biofábrica vem atuando desde sua criação justamente em promover boas práticas e conscientização de turistas e todos aqueles que dependem de alguma forma do mar para sobreviver.
Em Maragogi, a experiência fruto de parceria com a Embratur busca fortalecer seu posicionamento de um turismo regenerativo que auxilia na restauração de recifes de corais na costa brasileira.
Além de Maragogi, a empresa atua em Pernambuco em dois locais. Em Tamandaré também promove pesquisas e ações de recuperação de corais. Já em Porto de Galinhas, as ações são voltadas ao turismo regenerativo.

“Promovemos ações ambientais que envolvem biotecnologia, educação ambiental e engajamento social de moradores e pessoas que trabalham nestas regiões. Em Porto de Galinhas, onde fazemos turismo regenerativo, promovemos estratégias que orientem esses profissionais e gerem renda. A ideia é que moradores da região sejam agentes ativos na preservação do bioma, auxiliando tanto na proteção quanto na comunicação das ações de recuperação para os turistas que visitam a cidade”, completou Matheus José.
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