Sua fonte de informação sobre os negócios do Nordeste

Usina Coruripe celebra centenário com foco em sustentabilidade e expansão produtiva

Presidente da Usina Coruripe, Mario Lorencatto, analisou cenário atual, falou de oportunidades e desafios no agronegócio
Vanessa Siqueira
Vanessa Siqueira
vanessa.siqueira@movimentoeconomico.com.br
Usina Coruripe
Usina Coruripe possui cinco unidades produtivas, sendo uma em Alagoas e outras quatro em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Com recém-completados 100 anos de atuação, a Usina Coruripe, que iniciou suas operações em Alagoas, vem expandindo sua atuação e produção também em Minas Gerais de olho nos avanços tecnológicos e os princípios de ESG, garantindo sustentabilidade nas atividades desempenhadas. O presidente da Usina Coruripe, Mario Lorencatto, conversou com o Movimento Econômico sobre a história da empresa e falou de projetos para o futuro.

A Usina Coruripe nasceu em 12 de fevereiro de 1925 e em 1941 o empreendedor Tecio Wanderley assumiu o controle acionário da empresa. Ao longo do seu centenário, a Coruripe expandiu em 1994 sua atuação para Minas Gerais, onde possui quatro unidades produtivas. Em 2024, a expansão da unidade de Limeira do Oeste (MG) garantiu o aumento da capacidade de moagem de 1,5 milhão de toneladas para 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Com a expansão, o grupo ampliou sua capacidade de moagem para 16,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Em números totais, o grupo produz 24.366 mil sacas de açúcar, 495 milhões de litros de etanol e 703 mil MVh de energia.

Ao Movimento Econômico, Mario Lorencatto falou dos desafios da trajetória centenária da Usina Coruripe, os desafios enfrentados frente às mudanças climáticas e os compromissos com a sustentabilidade e da expectativa de produção para as próximas safras, com destaque para a unidade de Alagoas.

Confira a entrevista do presidente da Usina Coruripe:

Movimento Econômico – A Usina Coruripe completou 100 anos no mês de fevereiro. Quais foram os principais desafios e conquistas dessa trajetória centenária?

- Publicidade -

Mario Lorencatto – Entre os principais desafios enfrentados ao longo dessa trajetória centenária, destaca-se a necessidade de adaptação às constantes flutuações do mercado de açúcar e etanol, bem como às mudanças nas políticas governamentais e regulamentações ambientais. A Usina Coruripe sempre teve a sustentabilidade e as questões ambientais em seu DNA, mas um dos maiores desafios foi a criação de políticas eficazes para incorporar esses valores de forma estratégica em suas operações. Para isso, a empresa investiu fortemente em iniciativas voltadas à preservação da natureza e ao bem-estar das comunidades, adotando práticas que minimizassem os impactos ambientais e garantissem sua competitividade em longo prazo. A modernização e a incorporação de novas tecnologias também foram essenciais para assegurar a eficiência produtiva e acompanhar a evolução do setor.

Entre as conquistas, além de seguir em crescimento em cenários desfavoráveis, a companhia se orgulha de ter expandido suas operações para além de Alagoas, estabelecendo quatro unidades em Minas Gerais e investindo na modernização de suas instalações. Um exemplo recente desse crescimento foi a expansão da unidade de Limeira do Oeste (MG), com a construção de uma nova fábrica de açúcar, que aumentou significativamente a capacidade de moagem. Além disso, a implantação do Terminal Rodoferroviário, em parceria com a Rumo, na unidade de Iturama (MG), também em Minas Gerais, em 2022, possibilitou uma logística mais eficiente e ampliou a capacidade de escoamento da produção de açúcar.

Outro marco relevante foi a obtenção da certificação internacional ISCC Corsia Plus, que tornou a empresa uma das poucas aptas a comercializar etanol para aviação. Esse reconhecimento reforça o compromisso da Usina Coruripe com a sustentabilidade e com práticas alinhadas aos princípios ESG (Environmental, Social and Governance).

Usina coruripe mg
Unidade de Limeira do Oeste da Usina Coruripe (foto) ampliou capacidade de moagem para produção de açúcar. Foto: Divulgação

ME – A última safra trouxe imensos desafios para produtores de todo o país, por conta de adversidades climáticas, política econômica desfavorável, entre outros pontos. Que ensinamentos essas dificuldades trouxeram para a empresa e o que elas ensinam para lidar nas próximas safras?

ML – A safra 2024/25 deixou claro que a resiliência e a capacidade de adaptação são essenciais para o agronegócio. As variações climáticas exigiram investimentos em novas tecnologias e práticas agrícolas para tornar os canaviais mais resistentes. No campo econômico, a instabilidade reforçou a importância de uma gestão financeira eficiente e do acesso a crédito para manter a competitividade. Além disso, ficou evidente que inovação e eficiência operacional podem ajudar a minimizar os impactos das adversidades. Por fim, o planejamento estratégico e a adoção de práticas sustentáveis se mostraram fundamentais para garantir a estabilidade e o crescimento do setor em longo prazo.

ME – Como estão os números de produção atualmente de cana e dos principais produtos? Há perspectiva de aumento na produção para as próximas safras?

ML – Mesmo com todos os desafios climáticos, como a estiagem severa, tanto no Nordeste como no centro-sul, nesse último também potencializado pelas queimadas, a Coruripe vai entregar um resultado operacional muito próximo ao seu compromisso originalmente estabelecido. A eficiência na comercialização e melhores preços praticados foram fundamentais nesse sentido. Do ponto de vista financeiro, o ambiente de juros mais elevado pressionou o resultado da Safra 24/25; contudo, a relação de endividamento líquido/EBITDA deve encerrar em níveis saudáveis de 1,6x.

A perspectiva para a Safra 25/26 da Coruripe está seguindo o movimento similar ao centro-sul, o qual projeta uma safra 1,5% menor ano sobre ano. No caso da Coruripe, devemos ter um aumento de moagem no Nordeste e, no grupo, uma redução geral de ~1%.

Em termos de preços, a Safra 25/26 deve iniciar com 75% de fixação no açúcar VHP, em níveis similares ao preço da 24/25. Para o etanol, o cenário é de um ambiente mais construtivo com níveis acima do período anterior.

ME – Como a Usina Coruripe vê a concorrência no setor sucroenergético, especialmente diante da crescente demanda por fontes renováveis de energia?

ML – Para a Usina Coruripe, o investimento em práticas que alinhem o desenvolvimento econômico à responsabilidade ambiental é um diferencial em nosso negócio como fornecedor de bioenergia.

Mario Lorencatto presidente usina Coruripe
Presidente da Usina Coruripe, Mario Lorencatto, analisou cenário atual, falou de oportunidades e desafios no agronegócio. Foto: Divulgação

ME – O mercado externo tem sido um foco para vocês?

ML – A exportação de produtos, como o açúcar e o etanol, aliados à sustentabilidade e às práticas ESG, coloca a Usina Coruripe em uma posição estratégica para competir globalmente. Portanto, o mercado externo é um componente essencial na estratégia de crescimento e expansão da empresa.

ME – Quais práticas sustentáveis a Usina Coruripe adota para reduzir seu impacto ambiental? Há investimentos em novas fontes de bioenergia ou biocombustíveis além do etanol?

ML – De forma constante, a Coruripe investe em práticas para otimizar e reduzir o impacto ambiental de suas operações. Alguns exemplos:

 Eliminação gradual do corte manual e fim das queimadas em Alagoas com a transição para a colheita mecanizada, como já ocorre nas filiais mineiras da empresa.

 As caldeiras da usina já utilizam a biomassa de cana-de-açúcar como combustível principal, subproduto de sua atividade de extração do caldo de cana-de-açúcar, além do reúso racional desse material para cogeração de energia elétrica. Nas últimas safras, a modernização de nossas caldeiras tem aprimorado os processos de queima trazendo mais eficiência e diminuição das emissões atmosféricas.

 Lidando com a imprevisibilidade climática e, mais especificamente, com a alteração do regime de chuvas, a empresa vem investindo em irrigação nos seus canaviais, visando o aumento da produtividade e a diminuição da pressão ambiental em novas áreas de plantio.

 Além do bagaço de cana-de-açúcar, outro resíduo da atividade canavieira amplamente utilizado é a vinhaça ou vinhoto. Aplicada em canaviais, atua como fertilizante e fonte de potássio para a cultura. No cenário do agro brasileiro surgiu recentemente a aplicação de vinhaça localizada enriquecida com macro e micronutrientes, técnica que visa uma distribuição mais uniforme do produto, evitando desperdícios, excessos e diminuindo atividades agrícolas, além de evitar o surgimento de processos erosivos, pois o efluente segue diretamente nas linhas de plantio, otimiza o processo e traz mais sustentabilidade, por isso a empresa tem substituído as aplicações convencionais por essa nova técnica.    

 A adubação química será reduzida anualmente em ~2%, sendo substituída por adubação orgânica, além da diminuição da concentração de

nitrogênio nos fertilizantes ao longo dos próximos anos. Com a implementação dessas medidas, projetamos uma redução de 39% no consumo de fertilizantes químicos até 2030.

ME – Para finalizar, como a empresa enxerga o impacto do setor sucroenergético na economia alagoana?

ML – O compromisso da Usina Coruripe com a economia alagoana vai além da produção e geração de empregos: abrange investimentos em projetos sociais e ambientais que promovem o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais. Dessa forma, a Usina Coruripe, assim como o setor sucroenergético de maneira geral, exerce um impacto positivo e transformador na economia de Alagoas, gerando benefícios tanto para o presente quanto para o futuro da região.

Leia mais: Litoral de AL e PE lidera ranking do metro quadrado mais caro do Nordeste

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -