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“Ainda Estou Aqui” conquista primeiro Oscar para o Brasil

Filme de Walter Salles sobre episódio da ditadura militar vence na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar
Oscar 2025 Walter Salles vencedor melhor filme internacional Ainda Estou Aqui
Diretor Walter Salles agradeceu premiação do Orcar citando Eunice Paiva e as duas atrizes que a interpretaram no filme: Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Foto: TNT/Reprodução

​O cinema brasileiro alcançou um marco histórico na 97ª edição do Oscar, realizada na noite de domingo (2), ao conquistar pela primeira vez a estatueta de Melhor Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles. O filme retrata a história de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985). A narrativa é baseada no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva, filho do casal.

O filme brasileiro superou Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia). Walter Salles dedicou a conquista para Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva desaparecido na ditadura, cuja saga pela busca em saber o destino do marido norteou o roteiro do filme.

Em seu discurso de agradecimento, o cineasta brasileiro também ressaltou os trabalhos de Fernanda Torres, e sua mãe, Fernanda Montenegro: “Obrigado em primeiro lugar em nome do cinema brasileiro. É uma honra receber esse prêmio num grupo tão extraordinário de cineastas. Dedico esse prêmio a uma mulher que depois de uma perda durante um regime autoritário decidiu não se curvar e resistir. Esse prêmio é dedicado a ela, Eunice Paiva. Dedico às duas mulheres extraordinárias que deram vida a ela, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Muito obrigado.”

Indicado também para a estatueta de melhor filme, Ainda Estou Aqui perdeu para Anora, maior vencedor da festa com cinco estatuetas no total.

Fernanda Torres, indicada ao prêmio de melhor atriz, não levou a estatueta, que acabou nas mãos de Mikey Madison, de Anora. Mas Fernanda Torres entra na história do cinema repetindo sua mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada na edição de 1999 do Oscar como melhor atriz, mas a laureada foi a estadunidense Gwyneth Paltrow.

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Marco para a indústria cinematográfica brasileira

A vitória de “Ainda Estou Aqui” representa um avanço significativo para o cinema nacional, que já havia sido indicado anteriormente, mas nunca conquistado a estatueta. A última indicação brasileira na categoria foi com “Central do Brasil”, também dirigido por Salles, em 1999. ​

Este foi 38º prêmio nacional e internacional do filme, sendo o mais importante de todoa. Outras vitórias representativas foram o Prêmio Goya e o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Fernanda Torees. No Oscar, foi indicado em três categorias: melhor filme, melhor atriz, para Fernando Torres, e melhor filme internacional.

De acordo com o professor Arthur Autran, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e que lidera grupo de pesquisa sobre cinema e audiovisual na América Latina, a repercussão é “enorme” em diversos níveis, independentemente se o longa recebesse algum Oscar neste domingo. Há o que o pesquisador chama de uma “repercussão social”. “O filme se tornou, de fato, uma espécie de evento. Muitas pessoas se interessaram pelo cinema brasileiro”, explica.

Para o professor de história Marco Pestana, da Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisador do tema da ditadura, o filme tem diferentes méritos, como o de, mesmo tratando de um período obscuro, conseguir dialogar de maneira direta com o presente. “É um filme que, nessa conjuntura, tem cumprido um papel importante”. 

Depois que o filme foi lançado, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu analisar o processo que estava com trâmite parado há uma década. Agora, a Corte anunciou que vai julgar se a Lei da Anistia se aplica aos crimes de sequestro e cárcere privado cometidos durante a ditadura militar a partir das investigações da morte do ex-deputado Rubens Paiva.

Além de “Ainda Estou Aqui”, a cerimônia do Oscar 2025 destacou-se por outras premiações notáveis.

Os premiados nas 23 categorias da 97ª edição do Oscar foram:

Ator coadjuvante – Kieran Culkin, em A verdadeira dor

Animação – Flow

Curta-metragem animado – In The Shadow of Cypress

Figurino – Wicked

Roteiro original – Anora

Roteiro adaptado – Conclave

Maquiagem e penteado – A substância

Edição Anora

Atriz coadjuvante – Zoe Saldaña, por Emília Pérez

Design de produção – Wicked

Canção original – El Mal, de Emilia Pérez

Documentário de curta-metragem – A única mulher na orquestra

Documentário  – No other land

Som – Duna: Parte 2

Efeitos visuais: Duna: Parte 2

Curta-metragem em live-action – I’m not a robot

Fotografia – O Brutalista

Filme internacional – Ainda estou aqui

Trilha sonora  – O Brutalista

Ator –Adrien Brody, em O Brutalista

Direção – Sean Baker, de Anora

 Atriz – Mikey Madison, em Anora

Filme Anora

* Com informações da Agência Brasil

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