
A Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado de Pernambuco (Sindicape) realizam um protesto que vai ocorrer partir das 9h desta terça-feira (7) em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Os produtores desejam uma ajuda do governo do Estado para comprar fertilizantes devido às dificuldades do setor impactado, negativamente, como o tarifaço do presidente Donald Trump sobre o açúcar e o etanol; queda de 36% no preço da tonelada da planta – comparando com a safra passada-; e até a redução do preço do açúcar no mercado internacional, entre outros. Até o final de fevereiro último, ocorreu uma redução de 4,1% na moagem da cana-de-açúcar, comparando com a safra anterior, segundo um levantamento da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).
O presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, já afirmou que este cenário de dificuldade pode fazer alguns produtores não adubarem os seus plantios, resultando numa produtividade mais baixa da cana-de-açúcar. Ele explica que o uso do fertilizante tem que ocorrer no momento certo, aproveitando a época chuvosa para a plantar se desenvolver mais.
As duas entidades representam cerca de 10 mil canavieiros. A articulação das duas entidades para pedir que o governo do Estado compre fertilizantes começou antes mesmo da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último dia 28 de fevereiro. O conflito provocou o aumento dos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo.
“Cerca de 92% dos fornecedores de cana-de-açúcar são agricultores familiares que são responsáveis por 23% da cana do Estado”, afirma Alexandre Andrade Lima. Na média, os pequenos colhem até mil toneladas da planta por propriedade e, segundo a AFCP, são os mais impactados por este cenário de dificuldades. Os 77% da cana do Estado são cultivados por produtores de grande porte.
Segundo Alexandre, os fornecedores estão pedindo que a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprove a Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado de Pernambuco com 20% de remanejamento dos recursos, o que permitiria o governo de Pernambuco doar os fertilizantes aos fornecedores. A AFCP estima que seriam necessárias 36 mil toneladas de fertilizantes, o que equivale a uma compra da ordem de cerca de R$ 70 milhões.
Alexandre lembra também que outras gestões estaduais já fizeram este tipo de doação, em governos passados, como o Miguel Arraes (PSB)no Programa Mata Viva; Jarbas
Vasconcelos (MDB) no Prorenor e Programa Terra Pronta e Eduardo Campos, também distribuiu fertilizantes num momento de crise do setor.
As dificuldades no setor sucroenergético são cíclicas, provocadas por diversos fatores como estiagens, queda do preço no mercado internacional, entre outros.

Problemas enfrentados pelo setor canavieiro
O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou menos lucrativas as exportações de açúcar para aquele país e também atingiu a cota americana do açúcar – que costumava pagar quase duas vezes o preço estabelecido para esta commodity no mercado internacional. A exportação da cota é feita somente por usinas do Nordeste. Com o tarifaço, os produtores que exportaram pela cota tiveram uma rentabilidade menor por causa das tarifas.
O preço da tonelada de cana na safra 2025/2026 apresentou forte defasagem em relação à moagem anterior. Em novembro de 2025, o valor pago ao produtor ficou em R$ 129,72 por tonelada, segundo informações da AFCP. Já em fevereiro de 2025, -quando estava sendo finalizada a safra 2024/2025 -, o preço era de R$ 176,52 por tonelada. A diferença representa uma queda de 36,1%, pressionando a renda dos fornecedores. Em Pernambuco, geralmente a safra começa em agosto e vai até fevereiro do ano seguinte.
De acordo com informações da Federação dos Plantadores de Cana do Nordeste (Feplana), a continuidade desse quadro de dificuldades pode provocar queda na produtividade e gerar impactos negativos para a economia e a sociedade.
“O setor canavieiro é estratégico para Pernambuco diante da sua relevância socioeconômica, na geração de milhares de empregos diretos e indiretos, enquanto base de renda para pequenos e médios produtores rurais e na dinamização da economia regional e na arrecadação estadual”, afirmou o presidente da Feplana, Paulo Leal, num dos ofícios já enviados à Alepe pedindo a compra dos fertilizantes.
Vice-líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado Antonio Moraes (PSD) afirmou que, do modo, como está a LOA, o governo do Estado fica sem ter como fazer qualquer remanejamento de recursos. Segundo o parlamentar, esta questão dos produtores surgiu em fevereiro último e a governadora fez um acordo que repassaria R$ 70 milhões para comprar fertilizantes para os fornecedores que produzem até 5 mil toneladas de cana-de-açúcar numa safra, porque todo o setor perdeu dinheiro com a queda no preço da tonelada da planta. “Da maneira que eles (a oposição) querem, não querem inviabilizar só a governadora Raquel, mas o governo de Pernambuco. É importante que a sociedade cobre, fique atenta ao que está ocorrendo na Alepe”, concluiu.
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