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Do mar ao Matopiba: Piauí terá produção de fertilizante com alga calcária

O Piauí inicia testes com fertilizante marinho feito de alga calcária Lithothamnium. Com produção sustentável e alto valor nutritivo, o produto extraído pela Oceana Minerals pode elevar a produtividade agrícola em até 50%
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Governador Rafael Fonteles visitou o Porto Piauí no domingo (19) e conheceu a operação em fase experimental da multinacional Oceana para produção de fertilizante marinho à base de alga calcária no terminal
Governador Rafael Fonteles visitou o Porto Piauí no domingo (19) e conheceu a operação em fase experimental da multinacional Oceana para produção de fertilizante marinho à base de alga calcária no terminal. Foto: Gabriel Torres/Governo do Piauí

A produção de um fertilizante marinho à base de algas calcárias começou a ser testada no litoral do Piauí, marcando o início da aplicação local de biotecnologia no setor de insumos agrícolas. O produto é desenvolvido pela multinacional Oceana Minerals, que iniciou a operação experimental no domingo (19), no Porto Piauí, em Luís Correia. A iniciativa reforça o papel estratégico do estado no avanço da agricultura sustentável no Brasil.

Esta nova fase representa a primeira atividade comercial do terminal portuário, que começa a se consolidar como um importante polo logístico para o setor agrícola e mineral do Nordeste. O fertilizante será destinado ao mercado do Matopiba — uma das fronteiras agrícolas mais promissoras do país, englobando partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Além disso, parte da produção será direcionada para exportação internacional, atendendo à crescente demanda por bioinsumos naturais.

A matéria-prima usada na formulação é a alga vermelha Lithothamnium, rica em cálcio, magnésio e outros elementos benéficos à agricultura. Classificado como um bioestimulante natural, o produto contém nutrientes altamente solúveis e biodisponíveis, essenciais para o bom desenvolvimento das culturas. Seu uso regular traz impactos positivos comprovados tanto na produtividade quanto na qualidade dos cultivos.

Biofertilizante que melhora a saúde do solo e aumenta a produtividade

Entre os principais benefícios do fertilizante marinho estão o fortalecimento do sistema radicular, o aumento da resistência a pragas e estresses climáticos e a melhoria da estrutura e fertilidade do solo. Esses efeitos resultam em um crescimento mais vigoroso das plantas e colheitas com maior rendimento e qualidade. Em áreas com características tropicais e solos desbalanceados, como o Matopiba, os efeitos são ainda mais evidentes.

Outro destaque é a sua capacidade de corrigir o pH em solos ácidos, uma característica comum na região. Com isso, o solo se torna mais apto para absorver nutrientes, promovendo um ambiente equilibrado para o desenvolvimento das plantas. Além disso, o biofertilizante atua na regulação da microbiota do solo, estimulando a atividade de microrganismos benéficos.

Estudos de campo realizados pela Oceana Minerals, em parceria com instituições de pesquisa, apontam ganhos médios de mais de 5 sacas por hectare em soja e 7 sacas por hectare em milho. Esses resultados demonstram a eficácia do produto e seu potencial para substituir fertilizantes químicos de forma progressiva, promovendo uma agricultura mais limpa e eficiente.

Oceana Minerals produção de fertilizantes à base de alga marinha
Ponto de extração da alga calcária fica a cerca de seis horas de navegação da costa maranhense. Foto: Oceana Minerals/Reprodução

Condições ambientais únicas para formação da alga calcária

A jazida submersa utilizada pela Oceana Minerals está localizada na Plataforma Continental do Maranhão, próxima à cidade de Tutóia. Com área de concessão de 11 mil hectares, o local possui condições ambientais excepcionais, como alta salinidade, forte incidência solar e correntes marítimas contínuas. Esses fatores são determinantes para o desenvolvimento de algas calcárias com alta pureza e reatividade.

Durante o seu crescimento, o Lithothamnium passa naturalmente por um processo de calcificação. Quando se desprende do fundo do mar, é capturado por dragagem controlada, sem contato manual, e segue para processamento e secagem. A técnica é considerada de baixa interferência ambiental, com impacto próximo de zero, segundo a empresa.

O ponto de extração fica a cerca de seis horas de navegação da costa maranhense, o que assegura um ambiente marinho preservado e livre de poluentes. Essa localização estratégica contribui para a manutenção da qualidade química da biomassa e reduz os riscos de contaminação. Com um volume estimado de 600 milhões de toneladas, o depósito é um dos maiores do gênero no mundo.

Certificações, sustentabilidade e aproveitamento agrícola

A qualidade agronômica do Lithothamnium é reconhecida internacionalmente. Diversos estudos indicam que, em determinadas culturas e condições de solo, o uso contínuo do biofertilizante pode aumentar a produtividade em até 50%. Isso o torna uma alternativa altamente atrativa em relação aos fertilizantes químicos tradicionais, além de contribuir para a sustentabilidade da agricultura.

A Oceana Minerals mantém um processo industrial que respeita as características naturais da alga, garantindo a preservação de suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Isso assegura eficiência, estabilidade e resultados consistentes no uso agrícola. Outro diferencial importante é a rastreabilidade e controle de qualidade em toda a cadeia produtiva, do mar ao campo.

Todos os produtos da empresa possuem certificação orgânica concedida pelo Instituto Biodinâmico (IBD), com validade no Brasil e em mercados internacionais. Além da agricultura, o Lithothamnium também é usado em suplementos nutricionais para animais e no tratamento de águas, ampliando suas aplicações comerciais e contribuindo para diferentes setores da economia.

Expansão estratégica da Oceana Minerals e impacto regional

A Oceana Minerals foi fundada em 2006 e iniciou suas operações industriais em 2013, após obter todas as certificações exigidas para exploração e comercialização. Desde então, investiu mais de R$ 100 milhões em infraestrutura, como a planta industrial em Tutóia (MA) e embarcações próprias para transporte e extração da biomassa marinha.

Atualmente, cerca de 60% do faturamento da empresa vem do setor agrícola, com destaque para as culturas de soja, café e hortifrúti. Os outros 40% estão concentrados na nutrição animal, especialmente na formulação de suplementos para ruminantes. A diversificação nas áreas de atuação tem sido uma das chaves para o crescimento contínuo da companhia.

Com sede em Jundiaí (SP), a Oceana está presente em mais de 80 países, levando soluções sustentáveis para diferentes mercados. A nova unidade no litoral do Piauí amplia o corredor logístico de bioinsumos marinhos no Nordeste brasileiro, reforçando a vocação da região para a inovação e sustentabilidade no campo.

Parceria com o Governo do Piauí e perspectivas para o futuro

A operação no Porto Piauí teve destaque com a visita oficial do governador Rafael Fonteles, após o início dos testes. “É a primeira operação comercial teste, sendo feita no Porto do Piauí. Além da descarga desta mercadoria, que o nosso litoral é riquíssimo, nós teremos o processamento, dentro da parceria que celebramos com a Oceana, que é uma multinacional que atua em oitenta países”, declarou o governador.

A presença do governo estadual sinaliza apoio à expansão de projetos inovadores e sustentáveis no estado. O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo, informou que a empresa será responsável por ocupar o primeiro terminal do porto, além de construir uma fábrica própria no local. Essa estrutura será fundamental para a geração de empregos e para o fortalecimento da economia local.

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