- Publicidade -

Energia solar e cisternas transformam roças no interior do Piauí

A placa solar e a segunda cisterna permitiram aos pequenos agricultores irrigarem os seus plantios no interior do Piauí. Foto: Almir Orsano/Obra Kolping-PI
- Publicidade -
A placa solar acoplada a segunda cisterna permitiu alguns pequenos agricultores irrigarem os seus plantios no interior do Piauí. Foto: Almir Orsano/Obra Kolping-PI

No semiárido do Sul do Piauí, a imagem é verde ao redor das casas dos agricultores contemplados pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) que faz parte do Programa Cisternas do governo federal. A implantação de uma “segunda cisterna” para acumular água para a produção e uma placa solar fotovotaica permitiram que muitos dos pequenos agricultores irrigassem os seus plantios. O programa vai demandar um investimento de R$ 4,5 milhões e é realizado pela Fundação Kolpin.

O P1+2 prevê a implantação de 150 cisternas de água para a produção – “a segunda cisterna” que pode acumular 52 mil litros – com uma placa solar fotovoltaica. Desde o ano passado, foram implantadas 130 placas fotovoltaicas dentro do programa realizado pela Obra Kolpin. Todos os contemplados já têm a primeira cisterna – com capacidade de 16 mil litros – que acumula a água usada para o consumo humano.

“As placa fotovoltaicas não são conectadas à rede de energia, nem precisam de baterias. O Piauí tem muita radiação solar. Nem a segunda cisterna nem a irrigação precisam funcionar à noite, porque os agricultores trabalham na produção de alimentos durante o dia”, resume o coordenador estadual da Obra Kolpin no Piauí, Raimundo João. E acrescenta: “O custo é zero para fazer a irrigação. E os agricultores se sentem estimulados a fazer a produção de alimentos saudáveis”.

Segundo ele, a bomba usada na irrigação pelas famílias é acionada, quando a placa começa a gerar energia. “É um sistema simples, de fácil manutenção e vamos dar uma capacitação às famílias para fazerem a própria manutenção”, explica Raimundo. A placa solar tem uma vida útil de 25 anos.

Os 150 agricultores contemplados pelo Programa Cisternas estão nos municípios de São Francisco de Assis e Betânia do Piauí, ambos no Sul daquele Estado. É uma região muito seca. O Piauí faz parte do “cinturão solar brasileiro” e tem uma irradiação média de 5,9 kWh/m² com cerca de 12 horas diárias de luz solar.

“É um investimento muito importante, pois permite que a família tenha uma economia considerável ao não precisar utilizar a energia da casa nem comprar fiação. A bomba solar fica protegida ao lado da cisterna, aumenta a vazão permitindo a irrigação de áreas maiores e mais distantes da tecnologia, e com o curso os agricultores terão autonomia para cuidar do kit”, ressalta o diretor.

Raimundo afirma que a Obra Kolping usa a energia solar em sistemas de reúso de águas e cisternas há pelo menos 10 anos e aproximadamente 400 famílias agricultoras no Piauí utilizam placas fotovoltaicas em suas propriedades. Mas é a primeira vez, segundo ele, que um programa utiliza a placa solar fotovoltaica junto com a segunda cisterna.

O P1+2 tem o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Fundação Banco do Brasil. Para realizar o projeto, a Kolping também tem como parceiros: a Articulação do Semiárido (ASA) Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Social.

Impacto da cisterna com a placa solar

cisterna - placa fotovoltaica - Piauí raimunda-juliana
A agricultora Raimunda Juliana Coelho foi contemplada com um “a segunda cisterna”, mas ficou preocupada com a conta de energia, quando percebeu que poderia irrigar o seu plantio. Foto: Almir Orsano/ Obra Kolping-PI

Há um ano, a agricultora Raimunda Juliana Coelho, 38, recebeu com alegria a notícia de que seu direito de acesso à água para produção de alimentos seria concretizado com a construção de um reservatório com capacidade para armazenar 52 mil litros, a “segunda cisterna”.

Depois da notícia, a agricultora começou a se preocupar com a conta de luz, que “aumentaria e muito por causa da bomba” necessária para retirar a água da cisterna e irrigar a futura roça. Ela tem um rendimento de R$ 600 do Bolsa Família e considera a conta de energia “cara”, mesmo com o desconto dado na tarifa de baixa renda. “A gente precisa da bomba para molhar as plantas e ter nossa produção, mas gastaria muito no fim do mês”, lembra Raimunda, que mora com o esposo e o filho, na comunidade Trás da Serra, em São Francisco de Assis do Piauí (PI).

A perceber o problema que poderia ser causado com o aumento da despesa da energia, a Obra Kolping – organização social que faz parte da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – planejou implantar a segunda cisterna-calçadão na propriedade de Raimunda e instalou um kit com bomba, placa fotovoltaica de 100 Watts e disjuntor. O sistema transforma a luz do sol em energia elétrica e permite acionar o equipamento para puxar a água da cisterna sem custo adicional para a família.

“Essa ideia da bomba solar foi uma bênção para nós. Hoje tenho goiaba, manga, limão, mamão, moringa, pimentão, pimentinha, alface, cenoura, tomate, cheiro verde, feijão e milho para consumo da família, fora a criação de galinhas, porcos, perus e cabras. Tudo graças à cisterna e sem pagar mais caro pela energia, só aproveitando o sol para puxar a água para a caixa, levar para o irrigador e molhar as plantas”, comemora Raimunda.

*Com informações da ASA.

Leia também

Com alta de 375% em PE, Nordeste expande exportações de carne bovina

Semiárido terá R$ 500 milhões para 50 mil novas cisternas

Leite de cabra se reinventa com sabores e nutrientes do semiárido paraibano

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -