
O conclave para a escolha do novo papa terá início nesta quarta-feira (7), na Capela Sistina, no Vaticano, com 133 cardeais eleitores reunidos sob regime de absoluto isolamento. A expectativa é de que o novo pontífice seja anunciado até o fim da semana, encerrando o processo com o tradicional “Habemus Papam” na Praça de São Pedro. Nesta terça-feira (6), os religiosos começaram a fazer o check-in em dois hotéis do Vaticano, onde ficarão impedidos de ter contato com o mundo exterior enquanto decidem quem deve suceder o papa Francisco.
Durante o período de votação, os cardeais permanecem hospedados na Casa de Santa Marta e são completamente privados de comunicação com o mundo exterior. Não há acesso a telefone, internet, rádio, televisão ou contato com familiares. Todos os envolvidos juram manter sigilo sobre os debates e as votações, que são realizadas em cédulas de papel e destruídas após cada escrutínio.
Cerimônia e regras do conclave
O conclave começa com a Missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada por todos os cardeais, seguida da entrada solene na Capela Sistina. A cerimônia do extra omnes marca o início formal da reclusão, quando todos os não eleitores deixam o local.
As votações ocorrem em sessões diárias de até quatro rodadas — duas pela manhã e duas à tarde. No primeiro dia, tradicionalmente, há apenas uma votação. A eleição exige maioria qualificada: com 133 cardeais, são necessários ao menos 89 votos para a escolha de um novo pontífice.
As cédulas são queimadas após cada contagem. A fumaça preta indica que nenhum nome alcançou a maioria necessária. A fumaça branca sinaliza que um novo papa foi eleito.
Caso não haja definição após três dias consecutivos de votação, os cardeais fazem uma pausa de 24 horas para oração e reflexão. A partir daí, recomeçam as sessões, com pausas adicionais a cada sete votações infrutíferas. Se houver 34 votações sem resultado, os dois mais votados vão a um segundo turno, ainda com exigência de dois terços dos votos.
Perfil e origens dos principais candidatos
O cardeal Pietro Parolin (Itália), atual secretário de Estado do Vaticano, lidera as apostas com cerca de 27,6% de chance, segundo levantamento da imprensa europeia. Diplomata de carreira e considerado moderado, representa a continuidade da linha de reformas do papa Francisco.
Outro nome de destaque é Matteo Zuppi (Itália), arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana. Com forte atuação em mediação de conflitos, é visto como figura influente no cenário político e religioso do país.
Entre os não europeus, Luis Antonio Tagle (Filipinas) desponta como possível primeiro papa asiático da história. Prefeito do Dicastério para a Evangelização, é conhecido pelo diálogo inter-religioso e atuação em comunidades pobres.
Também figuram entre os favoritos o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa (Itália), o cardeal Robert Francis Prevost (EUA), responsável pelas nomeações episcopais globais, e Jean-Marc Aveline (França), símbolo da diversidade religiosa e cultural na Igreja.
Outros nomes considerados relevantes incluem Mario Grech (Malta), Peter Turkson (Gana), Christoph Schönborn (Áustria) e Marc Ouellet (Canadá), embora alguns apresentem limitações por idade ou perfil ideológico.
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