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Economia circular: Nordeste ganha caderno inédito de inteligência territorial

Lançado no Ceará, documento de Sudene e PNUD propõe governança de dados, indicadores territorializados e roteiros para municípios e consórcios em toda a área de atuação da autarquia para fortalecer economia circular
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  1. Fórum Nordeste lança caderno inédito com 60 ações práticas em economia circular para municípios
  2. Publicação integra projeto de cooperação técnica entre PNUD, Sudene e oferece recomendações gratuitas para gestores públicos
  3. Nordeste enfrenta fragmentação de dados e baixa interoperabilidade entre sistemas de informação territorial
  4. Caderno organiza recomendações em seis blocos temáticos com foco em governança e gestão de dados públicos
  5. Propostas incluem trilhas formativas, observatórios públicos e laboratórios regionais para implementação da economia circular
Fórum Nordeste de Economia Circular FNEC caderno
O Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC) começa com a escuta nos territórios, para formular propostas de políticas que representem a articulação entre quem governa, quem pesquisa, quem financia e quem vive. Foto: FNEC/Instagram/Reprodução

Uma publicação inédita no país, com mais de 60 ações práticas em dez eixos temáticos, propõe aplicar dados abertos à economia circular nos mais de 1,7 mil municípios do Nordeste. O 1º Caderno de Recomendações em Dados e Inteligência Territorial foi lançado nesta segunda-feira (27), durante a Mostra de Resultados do Fórum Nordeste de Economia Circular Ceará (FNEC CE), em parceria entre o Fórum, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O caderno de 18 páginas integra o projeto de cooperação técnica internacional BRA/17/019, celebrado entre PNUD e Sudene, e é produto das discussões do III Fórum Nordeste de Economia Circular, realizado em Fortaleza (CE). Gratuito e destinado a estados, municípios, universidades, sociedade civil e setor produtivo, o material parte de um diagnóstico do próprio documento: o Nordeste dispõe de plataformas e experiências institucionais, mas ainda enfrenta fragmentação de bases de dados, baixa interoperabilidade entre sistemas e insuficiência de indicadores territorializados.

O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, afirmou que o desenvolvimento regional exige decisões baseadas em evidências. “A Sudene tem investido na estruturação e disseminação dessas informações por entender que este conhecimento é fundamental para enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas, à economia circular e à redução das desigualdades regionais”, declarou.

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Seis blocos e oito propostas de economia circular

O caderno organiza as recomendações técnicas em seis blocos temáticos: governança e institucionalidade dos dados, parcerias estratégicas e cooperação multissetorial, capacidades institucionais e perfis profissionais, dados para municípios e territórios, comunicação pública e apropriação social dos dados, e inovação aplicada com ecossistemas empreendedores. Entre as medidas específicas estão a adoção de protocolos mínimos de metadados, trilhas formativas em governança de dados, diretrizes para uso responsável de inteligência artificial na gestão pública e a priorização de municípios do semiárido e territórios com maiores vulnerabilidades socioambientais.

As oito propostas operacionais incluem a elaboração de uma agenda regional de dados com cronograma e responsabilidades, a criação de uma matriz mínima regional de indicadores territorializados, a implantação de programa de capacitação em governança de dados, o desenvolvimento de roteiros simplificados para municípios e consórcios, a estruturação de observatórios públicos em linguagem acessível, a promoção de laboratórios regionais com foco em clima, resíduos, água, mobilidade e circularidade, a consolidação de rede regional de cooperação multissetorial e o estímulo a ecossistemas de inovação orientados por dados.

O documento se alinha à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), à Estratégia Nacional de Economia Circular (Decreto nº 12.082/2024), ao Plano Nacional de Economia Circular 2025–2034, ao PRDNE 2024–2027, ao Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica e aos ODS 9, 12, 16 e 17. O caderno prevê três horizontes de implementação (curto, médio e longo prazo) e sugere nove indicadores de acompanhamento, entre eles o número de bases abertas em formato reutilizável, de municípios apoiados tecnicamente e de soluções empreendedoras desenvolvidas com dados públicos.

Data Nordeste como hub de inteligência

Durante o evento, a coordenadora de Desenvolvimento Econômico, Social, Cultural e Inovação da Sudene, Ludmilla Calado, apresentou a plataforma Data Nordeste, desenvolvida pela autarquia para produzir, organizar e disseminar informações estratégicas sobre a região. “A informação qualificada fortalece a tomada de decisão e a Sudene está disposta a organizar conhecimento e articular instituições”, afirmou Calado.

A plataforma oferece painéis interativos, boletins temáticos, catálogo de dados, datastories e aplicações georreferenciadas. Segundo Calado, o Data Nordeste deve evoluir para um hub de inteligência territorial, integrando indicadores estratégicos e produção analítica colaborativa. A ferramenta reúne informações de todos os estados da área de atuação da autarquia, que inclui o Nordeste, o norte de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo, com indicadores socioeconômicos, demográficos, ambientais e territoriais para subsidiar o planejamento governamental.

Inteligência territorial para a Caatinga

O caderno também aborda a aplicação da inteligência territorial ao bioma Caatinga, com ferramentas como geodados, sensoriamento remoto e mapeamentos participativos voltados a planejamento ambiental, gestão hídrica e agricultura resiliente. A publicação amplia oportunidades de empreendedorismo orientado por dados em áreas de circularidade, resíduos, água e clima, com roteiros e kits metodológicos dirigidos ao cidadão.

Aline Rodrigues da Fonseca, consultora do projeto BRA/17/019 e responsável pela elaboração do caderno, afirmou que a inteligência territorial permite superar análises baseadas apenas em médias regionais. “Ao transformar informações em instrumentos acessíveis para gestores, empreendedores e cidadãos, ampliamos a capacidade de construir soluções mais adequadas às especificidades locais e fortalecer uma transição ecológica inclusiva, baseada em evidências e conectada às necessidades reais da população”, declarou Fonseca.

O evento contou ainda com a participação de representantes do PNUD, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

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