
Trinta e nove turmas distribuídas em 20 municípios pernambucanos movimentarão, ao longo de agosto, a agenda de qualificação da cadeia têxtil e de confecções do Estado. A iniciativa, promovida pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), em parceria com o Marco Pernambucano da Moda e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, contempla cidades da Região Metropolitana do Recife, Agreste, Zona da Mata e Sertão, oferecendo formação gratuita em áreas consideradas estratégicas para a indústria da moda.
A programação reúne cursos de costura industrial, modelagem, manutenção de máquinas de costura, estamparia, fotografia de moda, desenvolvimento de produtos, gestão de redes sociais e pilotagem de peças de vestuário. Parte das atividades será realizada em municípios contemplados pelo programa PE Produz, que implantou laboratórios de prototipagem para estimular a inovação e ampliar a capacidade técnica da mão de obra local.
As inscrições para todas as capacitações já estão abertas. A programação completa, com datas, horários e locais das aulas, está disponível no portal do NTCPE, no endereço www.ntcpe.org.br.
>> Siga o canal da Movimento Econômico no WhatsApp
Polo de Confecções teme falta de mão de obra
Recentemente, o Movimento Econômico abordou as dificuldades que o Polo de Confecções enfrenta para renovar sua mão de obra, especialmente entre os jovens. O Polo de Confecções de Pernambuco é o segundo maior centro produtor de vestuário do Brasil e responsável por cerca de 200 mil empregos.
Empresários e representantes do setor apontam que as novas gerações têm priorizado ocupações com maior autonomia e flexibilidade, enquanto salários historicamente baixos e a concorrência de outras atividades econômicas reduziram a atratividade das fábricas de confecção. Diante desse cenário, a cadeia produtiva busca reposicionar a atividade como uma carreira com possibilidades de crescimento, e não apenas como uma fonte de renda.
Embora a sucessão familiar ainda exista, casos de jovens que decidiram construir uma trajetória profissional na indústria da moda, tornam-se cada vez mais raros. Empresários defendem que é preciso mostrar aos jovens as oportunidades de evolução dentro do setor, em áreas como modelagem, design, gestão e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, empresas têm investido na melhoria do ambiente de trabalho, programas de bonificação por produtividade e modernização da gestão para aumentar a retenção de trabalhadores e elevar a competitividade das confecções.
Como resposta ao desafio, entidades como o NTCPE ampliaram a oferta de capacitações, somando cerca de 7,4 mil horas de cursos no último ano. Também está em discussão a criação de um hub estadual de qualificação, reunindo iniciativas do Governo de Pernambuco, Sistema S, prefeituras e instituições do setor em uma única plataforma. Lideranças defendem a expansão da cadeia produtiva para novas regiões do estado, aliando qualificação, tecnologia e infraestrutura para garantir a sustentabilidade do Polo de Confecções nos próximos anos.
Capacitação como estratégia de desenvolvimento
A proposta do NTCPE é aproximar a formação profissional das diferentes regiões do Estado, contribuindo para elevar a competitividade das empresas e ampliar as oportunidades de trabalho em um dos segmentos mais importantes da economia pernambucana.
Segundo o diretor-presidente da entidade, Pedro Miranda, investir em qualificação é um passo fundamental para consolidar o crescimento da cadeia produtiva.
“Ao investir na capacitação da mão de obra e aproximar o conhecimento técnico das diversas regiões do Estado, contribuímos para o fortalecimento das empresas, o surgimento de novos negócios e a geração de oportunidades de emprego com mão de obra qualificada”, afirma.
Além da formação técnica, os cursos buscam estimular a inovação, o empreendedorismo e a adoção de novas práticas de gestão, fatores considerados essenciais para aumentar a produtividade do setor.
Agreste concentra maior número de formações
O Agreste, principal polo de confecções de Pernambuco, concentra boa parte da programação. Em Caruaru, por exemplo, serão oferecidos cursos de Manutenção de Máquinas de Costura, Modelagem Plana, Corte e Costura para Iniciantes e Estamparia com Serigrafia, em parceria com diferentes secretarias municipais.
Outros municípios da região também receberão capacitações. Agrestina terá curso voltado às estratégias de alta performance nas redes sociais; Brejo da Madre de Deus contará com turmas de Costura Industrial Polivalente; Cupira receberá formação em manutenção de máquinas; João Alfredo ofertará curso avançado de costura industrial; Poção terá duas turmas voltadas ao módulo intermediário; Taquaritinga do Norte incluirá oficinas de fotografia de moda e estamparia durante a programação do Moda e Café – Festival Cultural do Café; enquanto Toritama sediará a formação em Pilotagem, Ficha Técnica e Peças de Vestuário.
Cursos alcançam todas as regiões do estado
Na Região Metropolitana do Recife, Araçoiaba, Camaragibe e Olinda integram a programação. Entre as opções estão cursos de costura industrial, modelagem masculina e confecção de bolsas produzidas a partir de resíduos têxteis, reforçando também práticas ligadas à sustentabilidade.
Na Zona da Mata, as capacitações chegam aos municípios de Belém de Maria, Catende, Gameleira, Glória do Goitá, Quipapá e Tracunhaém, com foco principalmente em costura industrial e modelagem.
Já no Sertão, Carnaíba e Tacaratu receberão turmas de Costura Industrial Polivalente em Tecido Plano, ampliando o acesso à formação especializada também em regiões fora dos tradicionais polos de confecção.
Leia também: Polo de confecções busca caminhos para ampliar exportações











