
A confiança dos consumidores brasileiros registrou nova queda no mês de julho e atingiu o seu menor patamar desde março de 2026. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pelo FGV Ibre, recuou 0,4 ponto e passou para 88,3 pontos no período. O resultado acumulado na média móvel trimestral também acompanhou o movimento de retração ao ceder 0,3 ponto, fixando-se em 88,6 pontos.
A trajetória de queda do indicador reflete um cenário econômico desafiador para as famílias no país. A derrocada no indicador geral foi motivada principalmente pela deterioração da percepção da população em relação ao cenário econômico atual. A retração foi puxada pelas famílias de menor renda, que sentem com mais intensidade os impactos do orçamento comprimido.
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Essa alteração na percepção marca uma mudança de comportamento no levantamento, interrompendo uma sequência de melhoria na avaliação do momento presente que vinha sendo registrada nos meses anteriores.
Pressão no orçamento e impacto nos juros
Anna Carolina Gouveia, economista do FGV Ibre, explica a mudança de cenário vivida pelas famílias no período. “A confiança dos consumidores recuou em julho, influenciado pela piora da percepção sobre o momento presente, principalmente com relação a orçamento financeiro das famílias”, afirma a especialista.
O cenário macroeconômico atual segue afetando a renda e a capacidade de pagamento do consumidor final. “O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia”, aponta Anna Carolina.
Avaliação do momento presente e expectativas
A dinâmica do índice geral refletiu comportamentos opostos entre os seus dois componentes principais. O Índice de Situação Atual (ISA) despencou 2,6 pontos e caiu para 84,4 pontos. Em sentido inverso, o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, alcançando 91,5 pontos depois de registrar dois meses seguidos de perdas.
Na análise detalhada dos itens que integram a situação atual, a avaliação das famílias sobre as próprias finanças recuou 3,5 pontos, marcando 75,5 pontos. Este é o menor patamar verificado desde março de 2026, quando o indicador esteve em 72,1 pontos.
Bens duráveis e percepção sobre o futuro
A percepção sobre a situação econômica local no momento presente também sofreu retração ao perder 1,7 ponto e atingir 93,7 pontos. O número representa o nível mais baixo registrado para esse quesito desde setembro de 2025.
Já entre as projeções para o futuro, o único quesito a apresentar melhora foi a intenção de compras de bens duráveis, que avançou 4,7 pontos e chegou aos 84,7 pontos. Esse movimento positivo isolado conseguiu sustentar a recuperação do indicador agregado de expectativas no mês.
Por outro lado, os indicadores que medem as perspectivas futuras sobre a situação financeira pessoal e sobre a economia local mantiveram a trajetória de queda. Eles recuaram 0,2 e 1,4 ponto, registrando 87,5 pontos e 103,9 pontos, respectivamente.
Com informações da FGV Ibre.
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