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Adagro confirma raiva em equino no Agreste de PE e aciona alerta sanitário

Confirmação de vírus em Bezerros obriga vacinação de 16 mil animais para conter avanço da doença na região
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  1. Raiva confirmada em equino dispara protocolo de vigilância reforçada no Agreste pernambucano.
  2. Adagro delimita perímetro sanitário abrangendo seis municípios com obrigatoriedade de imunização.
  3. Cerca de 16 mil bovinos devem receber vacinação compulsória nos próximos meses.
  4. Autoridades mapeiam sete abrigos de morcegos transmissores em raio de doze quilômetros.
  5. Trânsito animal permanece liberado para evitar impactos econômicos no setor agropecuário regional.
equinocultura equinos gravatá centro de excelência do Senar Foto: Tina Coelho/Faepe
O foco da intervenção se concentra na imunização ativa do rebanho vulnerável e no controle sistemático dos vetores silvestres que habitam a região. Foto: Tina Coelho/Faepe

A confirmação de um caso de raiva em um equino no município de Bezerros colocou o setor agropecuário do Agreste pernambucano sob regime de vigilância reforçada. O episódio acionou protocolos de contenção em uma das zonas mais dinâmicas da pecuária estadual, onde a mobilidade de rebanhos e a proximidade entre propriedades exigem respostas rápidas. Para conter a circulação do vírus, a autoridade sanitária delimitou um perímetro de proteção que abrange seis municípios e impôs a obrigatoriedade da imunização de herbívoros.

​O cerco sanitário se estende por Bezerros, Camocim de São Félix, Caruaru, Cumaru, Riacho das Almas e Sairé. A medida não implica o bloqueio imediato de propriedades nem a proibição de trânsito animal para feiras e vaquejadas, estratégia adotada para evitar o estrangulamento econômico do setor produtivo regional.

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O foco da intervenção se concentra na imunização ativa do rebanho vulnerável e no controle sistemático dos vetores silvestres que habitam a região. ​Estima-se que 16,01 mil bovinos mapeados na área de perifoco devam passar pela vacinação compulsória ao longo dos próximos meses.

​A severidade da zoonose e a taxa de mortalidade que chega a 100% após o surgimento dos sintomas clínicos tornam a notificação precoce o elemento decisivo do combate, aponta a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro). As equipes técnicas acompanham a movimentação de vacinas nas revendas agropecuárias credenciadas para evitar gargalos na oferta de doses na região.

​”Caso seja identificado o desabastecimento de vacinas nas revendas agropecuárias da região, a Adagro informa o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que por sua vez aciona a Central de Selagem para verificar a disponibilidade de lotes liberados nos laboratórios fabricantes e viabilizar o envio emergencial de doses”, explica o diretor-presidente da agência, Moshe Carvalho.

​O cerco aos vetores no campo

​O combate à disseminação viral exige intervenção direta nos habitats do morcego hematófago da espécie Desmodus rotundus, principal transmissor da doença no ambiente rural. As patrulhas sanitárias mapearam sete abrigos do transmissor na área delimitada pelo perifoco em Bezerros e municípios vizinhos. As incursões de campo mantêm foco em um raio de até 12 quilômetros a partir do ponto onde o cavalo infectado foi localizado.

​Por se tratar de uma enfermidade endêmica no território pernambucano, o surgimento de novos focos desencadeia rotinas operacionais pré-estabelecidas sem que isso represente, isoladamente, uma quebra no padrão epidemiológico. A agilidade nas ações de bloqueio busca evitar que surtos isolados ganhem escala e comprometam a sanidade do rebanho regional.

​”A raiva dos herbívoros é endêmica em Pernambuco. Até a presente data, foram confirmados 9 focos no estado”, pondera Moshe Carvalho, ao destacar que a ocorrência de casos ativa imediatamente os mecanismos de imunização compulsória e controle de morcegos.

​Articulação e proteção humana

As normas estabelecidas pela Portaria Adagro nº 068/2025 concedem prazo de 90 dias, até 22 de outubro de 2026, para a conclusão da vacinação no perímetro delimitado.

Após a aplicação das doses, os criadores dispõem de 30 dias para apresentar a declaração acompanhada da nota fiscal da compra ou de laudo assinado por médico-veterinário. Animais imunizados pela primeira vez necessitam obrigatoriamente de uma dose de reforço um mês após a primeira aplicação.

​A interface entre a saúde animal e a saúde pública mobiliza agentes estaduais e municipais para monitorar possíveis exposições humanas ao vírus da raiva. O protocolo integrado prevê a busca ativa de pessoas que mantiveram contato com o equino diagnosticado com a infecção.

​”Assim que a Adagro toma ciência da confirmação oficial de um foco de raiva, o protocolo de notificação interinstitucional é acionado imediatamente. A Adagro notifica formalmente a Secretaria Estadual de Saúde (SES), enquanto a equipe local da agência responsável pelo município comunica diretamente a Secretaria Municipal de Saúde”, ressalta Carvalho.

​As autoridades de saúde assumem a investigação epidemiológica humana para avaliar a necessidade de profilaxia pós-exposição. Tratadores, proprietários e veterinários que eventualmente manusearam o animal doente são submetidos à triagem para a aplicação de vacina ou soro antirrábico, conforme a gravidade do contato.

​O acompanhamento dos animais nas propriedades rurais permanece como a primeira linha de defesa contra a expansão da zoonose no Agreste. Produtores devem monitorar comportamentos anômalos no rebanho, tais como salivação excessiva, isolamento, tremores e dificuldade de locomoção.

A notificação imediata aos serviços oficiais garante o isolamento rápido de eventuais suspeitas e protege o patrimônio pecuário estadual.

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