- Publicidade -

FNE: só 34% das indústrias do Nordeste conhecem e acessam o fundo, diz CNI

Pesquisa inédita da CNI com 147 indústrias mostra que juros atraem, mas burocracia e falta de informação sobre o FNE travam acesso ao crédito no Nordeste
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~6:42
  1. Apenas 34% das indústrias nordestinas que conhecem FNE conseguem acessar efetivamente o financiamento disponível.
  2. Taxas de juros subsidiadas atraem 94% das empresas industriais a buscarem crédito nos Fundos Constitucionais entre 2022 e 2025.
  3. Burocracia excessiva e garantias bancárias impedem maior acesso das indústrias aos recursos dos fundos constitucionais de financiamento.
  4. Compra de máquinas e equipamentos lidera com 56% dos objetivos de crédito solicitado pelas indústrias aos fundos.
  5. Falta de conhecimento sobre FNE limita alcance de instrumento constitucional previsto no artigo 159 para financiamento produtivo nordestino.
Pesquisa CNI Fundo Constitucional de Financiamento Foto: CNI
Segundo pesquisa da CNI, 56% das empresas que solicitaram crédito aos fundos constitucionais tinham como objetivo a compra de máquinas e equipamentos, 22% visavam a construção, manutenção, modernização ou instalação de planta, fábrica ou armazém e apenas 18% buscavam crédito para capital de giro. Foto: CNI/Reprodução

Taxas de juros mais atrativas levaram 94% das empresas industriais a buscar crédito nos Fundos Constitucionais de Financiamento entre 2022 e 2025, mas o excesso de burocracia, as garantias exigidas pelos bancos e a falta de conhecimento sobre os fundos impediram maior acesso do setor aos recursos. Os dados são de pesquisa temática inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta quarta-feira (15), que ouviu 147 indústrias nas regiões de abrangência dos três fundos, das quais 90 estão no Nordeste e em municípios elegíveis de Minas Gerais e do Espírito Santo, todos na área de cobertura do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), operado pelo Banco do Nordeste (BNB).

Na amostra, majoritariamente nordestina, 60,5% das indústrias afirmaram conhecer o fundo de sua região, enquanto 38,1% declararam desconhecê-lo. Apenas 34% do total completaram o percurso entre o conhecimento do instrumento e a efetiva solicitação de crédito. Para o Nordeste, onde o FNE é o principal mecanismo de financiamento produtivo com taxas subsidiadas, a barreira de acesso à informação limita o alcance de um instrumento previsto no artigo 159 da Constituição.

>> Siga o canal da Movimento Econômico no WhatsApp

Juros atraem, mas burocracia afasta

Entre as indústrias que buscaram crédito junto aos fundos, 94% citaram as taxas de juros como principal motivação, seguidas pelos prazos de pagamento e carência (56%) e pelo relacionamento prévio com o banco operador (24%). O resultado ganha contexto quando comparado à Sondagem Especial de Condições de Acesso a Crédito em 2025, publicada pela CNI em janeiro de 2026: naquele levantamento, o custo elevado dos juros foi apontado como o maior obstáculo para a contratação ou renovação de crédito pela indústria brasileira. Para o empresariado nordestino, que opera com o BNB como principal porta de entrada ao FNE, a atratividade dos juros subsidiados se torna ainda mais decisiva num cenário de Selic elevada.

“As taxas de juros costumam ser o maior entrave para a obtenção de crédito no país, ainda mais quando estão em um patamar tão elevado, como o atual. A pesquisa mostra que a política pública tem conseguido sanar esse gargalo, mas é preciso ponderar que os juros médios cobrados da indústria ainda são bem maiores do que para o setor rural, por exemplo. Há abertura para equalizar essa diferença”, afirmou Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI, ao Portal da Indústria.

Na direção oposta, entre as empresas que conhecem os fundos mas não solicitaram crédito, 38,5% apontaram a percepção de burocracia ou demora no processo como principal barreira. A falta de informação sobre os fundos e a ausência de necessidade de crédito no período apareceram empatadas na segunda posição, com 28,2% cada. A percepção de não atender às exigências dos bancos operadores foi citada por 20,5%, e a falta de relacionamento com a instituição financeira, por 17,9%.

Crédito do FNE financia investimento estrutural, não fluxo de caixa

A pesquisa registrou que 56% das empresas industriais que solicitaram crédito junto aos fundos destinaram os recursos à aquisição de máquinas ou equipamentos. Outros 22% direcionaram o financiamento a investimentos em construção, manutenção, modernização ou aquisição de instalações, como plantas, fábricas e armazéns. Apenas 18% buscaram capital de giro.

O perfil de uso contrasta com o identificado pela Sondagem Especial de Condições de Acesso a Crédito em 2025, na qual o capital de giro liderou a demanda por crédito das empresas industriais brasileiras. No contexto dos fundos constitucionais, o crédito segue majoritariamente voltado a investimentos de natureza estrutural, o que está alinhado ao desenho original da política de desenvolvimento regional.

“O uso dos recursos para a compra de máquinas e equipamentos e melhoria da estrutura das empresas está alinhado com o objetivo da política pública. Esse crédito mais estruturante vai contribuir para a incorporação de novas tecnologias, o aumento da produtividade e, de forma geral, a competitividade das empresas”, afirmou Julia Dias.

Pesquisa CNI: impacto positivo para quase nove em dez empresas

Entre as indústrias que contrataram crédito, 88,6% avaliaram positivamente o impacto dos recursos sobre suas operações. Na escala de 1 a 5 adotada pela pesquisa, o indicador de impacto atingiu média de 4,11 pontos, patamar superior ao indicador de satisfação com a experiência de acesso ao crédito, que ficou em 3,26 pontos. A diferença sugere que a percepção das empresas sobre a efetividade da política pública é mais favorável do que a percepção sobre o atendimento prestado pelos bancos operadores, como o BNB no caso do FNE.

A viabilização da compra de máquinas e equipamentos foi citada por 62,2% das empresas como principal razão do impacto positivo. A expansão física apareceu em segundo lugar (37,8%), seguida pela contribuição para a geração de empregos (29,7%). Apenas 5,4% atribuíram o resultado à recuperação financeira, dado que a pesquisa da CNI interpreta como indicativo de uso saudável do instrumento.

A taxa de frustração, ou seja, a parcela de empresas que solicitaram crédito e não conseguiram contratar, ficou em 10%. Na Sondagem Especial de Condições de Acesso a Crédito em 2025, o percentual de frustração no mercado brasileiro foi de 19% para operações de curto e médio prazo e de 32% para operações de longo prazo.

Demanda futura existe, mas desconhecimento do FNE trava o acesso

Entre as indústrias que conhecem os fundos, 88,5% declararam que considerariam fazer uma nova solicitação de crédito. Quando o cálculo é projetado sobre o total de empresas entrevistadas, o percentual cai para 52,4%, porque 38,1% da amostra sequer conhece o instrumento. No Nordeste, onde o FNE canaliza recursos para setores produtivos por meio de linhas como o FNE Industrial, o FNE Proinfra e o FNE Verde, o desconhecimento representa demanda reprimida que a política pública ainda não conseguiu captar.

A pesquisa foi conduzida no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a CNI e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em fevereiro de 2025, com foco no eixo 4 do acordo, voltado a ampliar a participação da indústria na destinação dos recursos dos fundos. A amostra tem nível de confiança de 90% e margem de erro de 6,5%.

*Com informações da CNI

Leia mais: TCU julga nesta quarta liberação de recursos para trecho da Transnordestina em PE

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -