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Seca derruba milho em SE, AL e BA e reduz projeção da safra em 17,3%

Estimativa da 3ª safra de milho caiu 17,3% em um mês, apesar da perspectiva de crescimento da produção regional de grãos
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  1. Seca reduz projeção de milho em 17,3% entre junho e julho no Nordeste
  2. Veranicos desde maio afetaram lavouras de milho em Sergipe, Alagoas e nordeste baiano em fases críticas
  3. Estimativa de produção caiu de 3,26 para 2,70 milhões de toneladas em um mês
  4. Produtividade recuou 15,7% para 3.976 quilos por hectare apesar de área plantada crescer 6,7%
  5. Sergipe registra quebra de safra com perdas integrais no Sertão e liberação de animais nas plantações
Produção de milho em Sergipe
Veranicos registrados desde o fim de maio atingiram praticamente todas as regiões produtoras de milho em Sergipe. Foto: Seagri Sergipe

Em um cenário positivo e de crescimento para o plantio de grãos no Nordeste para 2026, a falta de chuva derrubou o potencial produtivo do milho cultivado no segundo semestre em áreas de Sergipe, Alagoas e do nordeste da Bahia. Boletim divulgado nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu em 17,3% a estimativa para a terceira safra do cereal entre junho e julho, diante dos efeitos dos veranicos sobre lavouras em fases decisivas de desenvolvimento.

Segundo a Conab, a projeção passou de 3,26 milhões para 2,70 milhões de toneladas no período de um mês. O volume também representa queda de 10% ante as 2,99 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. Embora a área plantada tenha crescido 6,7%, a produtividade estimada caiu 15,7%, para 3.976 quilos por hectare.

O boletim também chama atenção para a situação crítica enfrentada pelos produtores no Sertão sergipano e no município de Adustina, na Bahia. Nestas regiões, boa parte da produção será destinada à silagem ou não serão colhidas.

A deterioração do milho ocorre em uma safra que, no agregado, permanece positiva para o Nordeste. A Conab estima uma produção regional de 34,82 milhões de toneladas de grãos, alta de 10,8% sobre o ciclo anterior, puxada principalmente por Bahia, Piauí e Maranhão.

Sergipe registra quebra de safra de milho

O boletim aponta que em Sergipe, os veranicos registrados desde o fim de maio atingiram praticamente todas as regiões produtoras de milho, com maior intensidade no Semiárido. Segundo a Companhia, a redução da água disponível no solo provocou quebra de safra em praticamente todo o estado, embora a gravidade das perdas varie entre as microrregiões.

No Sertão, há registros de áreas com perda integral das lavouras. Em alguns casos, os produtores já liberaram os animais nas plantações por não esperarem produção suficiente nem mesmo para a fabricação de silagem.

Em Itabaianinha, município onde o milho ganhou espaço nos últimos anos em razão do histórico de boa distribuição das chuvas, os cultivos enfrentam dificuldades desde o fim de maio. As lavouras semeadas depois do dia 20 daquele mês, dentro da janela de plantio, estão entre as mais prejudicadas.

Já o município de Simão Dias apresenta condições relativamente melhores na comparação com outros municípios sergipanos, mas a Conab considera que a perda de potencial produtivo já está consolidada em grande parte das lavouras do estado.

O impacto climático aparece no resultado agregado de Sergipe. A produção estadual de grãos está estimada em 870,4 mil toneladas, retração de 33,7% em relação à safra anterior. Como a área cultivada permaneceu praticamente estável, com redução de apenas 0,1%, a queda decorre principalmente do recuo de 33,6% na produtividade.

lavoura de milho
Conab estima que produção regional de milho deve apresentar crescimento, com estimativa de 34,82 milhões de toneladas. Foto: Divulgação

Falta de chuva reduz produtividade em Alagoas

Em Alagoas, a falta de chuva atingiu principalmente a faixa próxima ao Rio São Francisco. No Agreste e na Bacia Leiteira, as precipitações ocorreram de forma localizada e em baixo volume.

As lavouras de milho semeadas na segunda quinzena de maio apresentam atraso no desenvolvimento, enrolamento das folhas e perda de potencial produtivo. Os cultivos implantados a partir das primeiras chuvas chegaram às fases de pendoamento e formação das espigas, mas também demonstram sinais de estresse hídrico.

Diante desse cenário, a Conab reduziu a estimativa de produtividade do milho alagoano neste levantamento. No conjunto dos grãos, Alagoas deve produzir 201,2 mil toneladas, queda de 5,2% em relação à safra anterior, mesmo com expansão de 1,9% da área cultivada. O rendimento médio das lavouras recuou 6,9%.

A escassez de chuvas também afeta o feijão da terceira safra no estado. Algumas áreas previstas no Agreste e no Sertão deixaram de ser semeadas, enquanto parte das lavouras implantadas apresenta dificuldades no desenvolvimento vegetativo.

Na Bahia, as perdas do milho estão concentradas nas lavouras de sequeiro do nordeste do estado. A redução das precipitações comprometeu cultivos em desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, com perdas já consolidadas em algumas áreas.

Em Pernambuco, ainda não foram identificados prejuízos produtivos consolidados no milho. No entanto, a irregularidade das chuvas no Agreste exige atenção porque as lavouras estão majoritariamente nas fases de floração e enchimento de grãos, períodos de maior sensibilidade ao déficit hídrico.

Produção regional ainda deve crescer

Apesar das perdas no milho, a produção total de grãos do Nordeste permanece em trajetória de crescimento. Bahia, Piauí e Maranhão devem concentrar 92,7% da produção nordestina. Além do avanço baiano, o Piauí tem crescimento estimado de 22,9%, para 7,69 milhões de toneladas, enquanto o Maranhão deverá produzir 9,12 milhões de toneladas, alta de 3,8%.

A Conab prevê irregularidade das precipitações e diminuição gradual da umidade do solo em grande parte do Nordeste. O cenário mantém o risco para as lavouras mais tardias e dependentes de chuva, especialmente aquelas que ainda atravessam as fases de floração e enchimento dos grãos.

No cenário nacional, a Conab estima que haja expansão da área plantada de milho tanto na primeira quanto na segunda safra. Na safra de verão, espera-se um crescimento de 9,8% na área cultivada, revertendo a tendência de queda dos últimos anos. Na segunda safra, a tendência de crescimento persiste, com projeção de aumento de 2,1% na área plantada. Essa expansão é sustentada pela continuidade do modelo produtivo soja-milho, economicamente atrativo.

No panorama de abastecimento, a safra 2025/26 deverá registrar um avanço de 4,7% no consumo doméstico, impulsionado pela maior demanda da indústria de etanol. As exportações continuarão em patamar elevado, apoiadas pelo bom desempenho produtivo.

Leia Mais: Produção de grãos no NE deve crescer 7,3% e atingir 29,8 milhões de toneladas

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