
A fabricante pernambucana Tambaú Alimentos prepara um novo ciclo de crescimento com investimentos estimados em R$ 130 milhões destinados à ampliação da capacidade produtiva, modernização industrial e expansão logística. O aporte, dividido entre este ano e 2027, permitirá à empresa elevar a produção em 25%.
Fundada em 1962, em Custódia, no Sertão do Moxotó, a Tambaú vive uma trajetória de crescimento contínuo desde a pandemia. Segundo o diretor-presidente da empresa, Hugo Gonçalves, a indústria conseguiu manter índices expressivos de expansão mesmo após o período mais crítico da crise sanitária.
“Desde a pandemia, a gente vem crescendo, em média, entre 12% e 15% ao ano. No ano da pandemia, crescemos 35%, mas o grande desafio foi manter esse desempenho nos anos seguintes”, afirmou o executivo.
Atualmente, a empresa produz cerca de 6 mil toneladas de alimentos por mês, distribuídas principalmente para os mercados do Norte e Nordeste. Um terço desse volume corresponde ao ketchup, categoria na qual a marca lidera as vendas regionais há uma década.
>> Siga o canal da Movimento Econômico no WhatsApp
Parte dos insumos vem de fora de Pernambuco. Enquanto frutas como goiaba, banana e caju são adquiridas principalmente no Nordeste, boa parte do tomate utilizado na produção de ketchup vem de outros estados e até do exterior.
Hoje, além de Goiás e Minas Gerais, a Tambaú importa polpa de tomate de países como Peru, Chile e China, movimento que acompanha uma tendência observada em outras indústrias do setor alimentício.
Tambaú amplia estrutura industrial em Custódia
Para acompanhar o crescimento da demanda, a companhia iniciou uma série de obras no parque fabril de Custódia. Entre os projetos em andamento está a construção de um galpão de 2,6 mil metros quadrados destinado à expansão da produção de embalagens plásticas.
A unidade receberá uma nova máquina automática de sopro com capacidade para produzir até 6 mil embalagens por hora, além de contar com duas máquinas semiautomáticas. O investimento permitirá à Tambaú reduzir a dependência de fornecedores externos.
“Hoje eu não consigo produzir todas as embalagens de que preciso e preciso comprar uma parte fora. Com essa nova máquina, teremos autonomia para atender toda a demanda interna”, explicou Hugo Gonçalves.
Paralelamente, a empresa está construindo um prédio administrativo de 400 metros quadrados para abrigar áreas como diretoria industrial, gerência de produção, almoxarifado e controle de qualidade. A mudança liberará espaço dentro da fábrica para novas linhas produtivas.

Investimentos chegam a R$ 130 milhões
Do total previsto, cerca de R$ 50 milhões serão investidos até o fim deste ano. Para 2027, a expectativa é aplicar mais R$ 80 milhões em automação industrial e na construção de um novo centro logístico.
A expansão do armazenamento tornou-se necessária porque o galpão atual já opera próximo do limite de capacidade. Além disso, a companhia pretende automatizar diversas etapas da produção para aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais.
“A automação é uma condição indispensável para manter a competitividade. Hoje existe uma dificuldade muito grande para contratar mão de obra, e a tecnologia vem justamente preencher essa lacuna”, afirmou o diretor-presidente.
Os investimentos serão financiados por uma combinação de recursos próprios e linhas de crédito. Aproximadamente 30% do aporte deverá sair do caixa da companhia, enquanto o restante será obtido junto a instituições financeiras como o Banco do Nordeste e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Reforço na logística para mercado regional
Além da expansão industrial, a empresa vem reforçando sua estrutura logística para acelerar a distribuição de produtos nos estados nordestinos e nortistas. “A gente tem investido em transporte e ampliação de frota para garantir entregas mais rápidas. O Nordeste é uma região muito extensa e exige um esforço logístico importante”, afirmou o executivo.
Atualmente, a companhia emprega cerca de 830 trabalhadores e fabrica mais de 120 produtos. Embora continue focada nos mercados do Norte e Nordeste, a Tambaú busca novas formas de alcançar consumidores de outras regiões.
Uma das apostas é o comércio eletrônico. A empresa iniciou, em junho, a venda de itens premium e de nicho em plataformas digitais, como ketchup com goiaba, mostarda com mel e doces especiais.
Segundo Hugo Gonçalves, a estratégia surgiu da necessidade de ampliar o alcance de produtos que nem sempre encontram espaço nas prateleiras dos supermercados. “O único caminho para acessar o Brasil inteiro era o e-commerce. Queremos chegar à casa dos consumidores por meio dessas plataformas”, afirmou.
Embora a operação digital ainda esteja em fase inicial, a expectativa é que o canal represente, no futuro, até 15% das vendas da companhia.
Leia também: Polo de Confecções de Pernambuco enfrenta novo desafio para renovar mão de obra











