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Grupo mineiro projeta R$ 5 bilhões em lítio no Ceará com uso da Transnordestina

Grupo Serdan Mineração certifica reservas de espodumênio, mineral de onde se extrai o lítio, em Quixeramobim e Banabuiú e projeta investimento de US$ 1 bilhão no Ceará. Transnordestina é apontada como fator decisivo para a chegada da empresa à região

De Fortaleza

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~6:17
  1. Grupo mineiro investe US$ 1 bilhão em exploração de lítio no Sertão Central cearense.
  2. Serdan Mineração certifica reservas de espodumênio em Quixeramobim, Banabuiú e estados vizinhos.
  3. Terminal do Pecém será utilizado para instalar planta de concentrado de lítio e baterias.
  4. Certificação de reservas mínimas é etapa obrigatória anterior ao investimento efetivo em plantas.
  5. Ceará carece de sondagem geológica profunda e mão de obra especializada em mineração.
Baterias de lítio: mineral extraído do espodumênio é matéria-prima estratégica para a fabricação de baterias, uso que motiva o interesse do Grupo Serdan pelas reservas do Ceará - Foto: Divulgação
Baterias de lítio: mineral extraído do espodumênio é matéria-prima estratégica para a fabricação de baterias, uso que motiva o interesse do Grupo Serdan pelas reservas do Ceará – Foto: Divulgação

O Grupo Serdan Mineração, com sede operacional em Minas Gerais, está certificando áreas de espodumênio, mineral do qual se extrai o lítio, em Quixeramobim e Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, além de frentes em Paraíba e Rio Grande do Norte. O investimento total está orçado em US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5 bilhões, valor que contempla a certificação das áreas e a instalação da planta de processo, segundo o CEO da empresa. A companhia, historicamente voltada à exploração de minério de ferro, soma hoje cerca de 30 funcionários dedicados exclusivamente aos estudos geológicos na região, em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico.

Segundo Sergio Dantas, CEO e proprietário do Grupo Serdan, a entrada no segmento de lítio partiu de uma demanda de um cliente da empresa, da China, em conjunto com um centro de tecnologia parceiro. A partir disso, o grupo passou a adquirir áreas no Nordeste com potencial para montar uma estrutura de concentrado de lítio e, no horizonte mais distante, uma fábrica de baterias em parceria com o mesmo cliente chinês.

O Terminal Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, poderá ser usado como base pela Serdan para viabilizar a instalação da planta de concentrado de lítio. Inclusive com o uso de um forno novo, vindo da China. O espaço, no complexo, será usado para ser feito o licenciamento do forno, com a unidade de tratamento de material em Quixeramobim, através da Transnordestina, a unidade do Pecém seria usado para fazer o carbonato de lítio e consequentemente a fábrica de baterias. Inicialmente estava sendo sondada a sede da Libra Ligas do Brasil, empresa que já operava em Banabuiú e informou seu encerramento recentemente.

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Certificação de reservas antecede definição de investimento

Embora o valor global do projeto já esteja estimado em R$ 5 bilhões, Dantas faz uma ressalva importante: esse montante não se aplica automaticamente a todas as áreas em estudo. O valor de cada planta depende do volume de reserva certificada ser compatível com a instalação industria, sem certificação de um volume mínimo, a planta não se viabiliza. Ou seja, o investimento é um teto de referência, e não um valor já integralmente destinado a Quixeramobim e Banabuiú.

Um dos gargalos apontados é a ausência histórica de sondagem geológica profunda no Ceará. O estado não possui levantamentos de sondagem em profundidade suficiente para mapear detalhadamente o que existe no subsolo, o que faz da certificação de áreas, já em curso em Banabuiú e na Paraíba, uma etapa prévia indispensável antes de qualquer definição final de aporte.

A empresa também estuda levar capacitação técnica para a região, diante da dificuldade de encontrar mão de obra especializada para o setor de mineração, considerada escassa entre a população local.

Equipe do Grupo Serdan Mineração realiza trabalhos de certificação de áreas em campo, no Sertão Central do Ceará, etapa que antecede a definição final do investimento em lítio na região - Foto: Divulgação
Equipe do Grupo Serdan Mineração realiza trabalhos de certificação de áreas em campo, no Sertão Central do Ceará, etapa que antecede a definição final do investimento em lítio na região – Foto: Divulgação

Transnordestina foi o fator decisivo para a decisão

Para Dantas, a ferrovia Transnordestina foi o que efetivamente destravou o interesse do grupo na região, o que ele chama, em suas palavras, de “motor” do projeto. A lógica é logística: transportar insumos e equipamentos para a instalação da planta, e futuramente escoar a produção, tanto para dentro quanto para fora do estado, com custo mais competitivo e menor exposição à variação do preço do frete rodoviário.

O cronograma da Serdan para 2026 concentra-se na montagem do centro de tecnologia, na certificação das áreas adquiridas, na documentação junto a órgãos ambientais e de mineração, na modernização de equipamentos e na abertura de escritório na região, a empresa já iniciou a instalação de uma filial local. Já a produção de baterias, segundo Dantas, é um projeto de cinco anos: somente o licenciamento de uma área desse porte consome cerca de um ano, prazo semelhante ao das pesquisas de campo já em andamento.

Fora do Ceará, o grupo também amplia posições minerais na região: adquiriu recentemente uma mineradora de ferro em Cruzeta (RN) e opera em Parelhas (RN) na extração de rocha ornamental.

Pedra de espodumênio, mineral do qual se extrai o lítio: apelidado de "ouro branco" por seu papel estratégico na produção de baterias, o material é o principal alvo da certificação de áreas feita pela Serdan Mineração no Ceará - Foto: Divulgação
Pedra de espodumênio, mineral do qual se extrai o lítio: apelidado de “ouro branco” por seu papel estratégico na produção de baterias, o material é o principal alvo da certificação de áreas feita pela Serdan Mineração no Ceará – Foto: Divulgação

Quixeramobim soma 152 autorizações de pesquisa mineral

Do lado do poder público, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Afrânio Feitosa, descreve o momento do município como “extraordinário” em termos de atração de investimentos. Segundo ele, Quixeramobim conta atualmente com 152 autorizações de pesquisa mineral já concedidas e mais de 600 pedidos aguardando liberação, número que, na avaliação do secretário, evidencia o potencial da região não apenas para lítio, mas também para ferro, manganês, quartzo, mármore, terras raras e a pedra ornamental conhecida como patagônia.

Segundo o secretário, a preparação de Quixeramobim para a chegada da Transnordestina não se limitou à infraestrutura: o município estruturou uma lei de incentivos econômicos e fiscais associada a uma administração integrada, com o objetivo de dar respostas rápidas ao investidor. Essa combinação, afirma Feitosa, foi decisiva para viabilizar dois empreendimentos privados que já nascem atrelados ao potencial da ferrovia: o Porto Seco, liderado pelo empresário Ricardo Azevedo, da Value Global Group, e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), sob liderança do empresário Amarilio Macêdo, do grupo J. Macêdo.

Sobre o andamento das obras após a visita recente do presidente Lula ao município, quando foram entregues os lotes 4 e 5 da ferrovia, Feitosa afirma que a Transnordestina segue dentro do cronograma previsto. O trem já chegou à área do município durante o evento com o governo federal; a chegada simbólica ao centro da cidade, inicialmente prevista para 15 de agosto, foi antecipada para o dia 14, em celebração ao aniversário de Quixeramobim. As obras do Porto Seco, segundo o secretário, já avançam com a supressão vegetal e abertura de acessos, com licenças ambientais de infraestrutura aptas a serem emitidas, restando apenas etapas burocráticas para sua liberação.

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