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Apesar do vilão feijão, cesta básica fica mais barata em três capitais do NE

João Pessoa, Recife e Maceió lideraram as quedas nacionais em junho, segundo o Dieese. No semestre, Fortaleza acumulou alta de 21,48%, a maior do país. Feijão aumentou 41,09% até maio, segundo a ABRAS
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  1. Feijão registra alta de 41,09% no acumulado do ano até maio em todas as capitais pesquisadas.
  2. João Pessoa, Recife e Maceió apresentam as maiores quedas da cesta básica em junho com reduções acima de 3,5%.
  3. Fortaleza lidera alta semestral com 21,48%, enquanto São Luís registra menor variação entre capitais do Nordeste.
  4. Nordeste consolida-se como região com cestas mais acessíveis do país, com preços entre R$ 630 e R$ 686.
  5. Salário mínimo necessário deveria ser R$ 8.110,92 segundo cálculo do Dieese, cinco vezes o valor atual.
feijão cesta básica alimentação IBGE
Segundo o Abrasmercado, indicador da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) que acompanha 35 produtos de largo consumo, o feijão teve aumento de 41,09% no acumulado do ano até maio. Foto: Iapar/Divulgação

Os moradores de João Pessoa, Recife e Maceió tiveram em junho um alívio nas contas da cesta básica, apesar da alta generalizada do feijão, do arroz agulhinha, da carne bovina de primeira e do leite integral em todas as 27 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). João Pessoa registrou queda de 3,97%, Recife recuou 3,62% e Maceió, 3,61%, as três maiores reduções do país no mês.

No cenário nacional, a cesta ficou mais cara em 17 capitais e recuou nas demais e no Distrito Federal. As maiores altas vieram do Norte: Boa Vista liderou com +3,28%, seguida por Palmas (+3,01%) e Rio Branco (+2,20%). Porto Alegre (+2,18%) completou o grupo de maiores elevações.

O alívio de junho em João Pessoa, Recife e Maceió não altera a tendência acumulada. Nos primeiros seis meses do ano, todas as 27 capitais registraram alta nos preços da cesta básica. As taxas oscilaram entre 4,02%, em São Luís, e 21,48%, em Fortaleza, a maior variação semestral do país. A distância entre os dois extremos nordestinos supera qualquer diferença registrada entre capitais de uma mesma macrorregião e expõe a desigualdade com que a pressão de oferta agrícola atinge a região.

O feijão foi o principal responsável pelo encarecimento da cesta em junho, com alta em todas as cidades analisadas. Segundo o Dieese, a redução da área cultivada e adversidades climáticas que atingiram a primeira e a segunda safras explicam a escalada. Com duas safras comprometidas e a terceira ainda em desenvolvimento, a tendência é de manutenção da pressão nos próximos meses.

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Nordeste tem as cestas mais baratas, Norte as mais caras

A composição da cesta nas capitais do Norte e do Nordeste difere da utilizada nas demais regiões, o que contribui para a diferença nos valores absolutos. Ainda assim, o Nordeste se consolidou em junho como a faixa mais acessível do país: Aracaju registrou R$ 630,40, São Luís ficou em R$ 654,73, Maceió em R$ 671,41 e Natal em R$ 686,07.

Na outra ponta, São Paulo teve a cesta mais cara do país, a R$ 965,47, seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42). Com base no valor paulistano, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência deveria ser de R$ 8.110,92, cinco vezes o piso atual de R$ 1.621. A distância entre o piso constitucional calculado e o valor em vigor tende a se ampliar enquanto a inflação de alimentos permanecer acima da variação do salário mínimo.

Feijão a 41% no ano puxa cesta de 35 produtos da ABRAS

O Abrasmercado, indicador da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) que acompanha 35 produtos de largo consumo, subiu 2,16% em maio. O valor médio da cesta nacional passou de R$ 836,80 para R$ 854,91, com acumulado de 6,82% no ano. O feijão acumula +41,09% e o leite longa vida, +22,33%. Entre os vegetais frescos, batata (+44,69%), tomate (+20,62%) e cebola (+16,80%) pressionaram a cesta em um único mês. Café torrado e moído (-2,38%) e açúcar refinado (-0,99%) recuaram.

O Nordeste absorveu a maior variação regional no mês: +2,79%, acima do Sul (+2,77%) e do Sudeste (+1,86%). A cesta de 35 produtos na região passou de R$ 751,53 para R$ 772,51, o menor valor absoluto entre as cinco macrorregiões. Na cesta de 12 itens básicos, Salvador (R$ 314,35) e Recife (R$ 314,61) mantiveram os menores patamares entre todas as capitais e regiões metropolitanas pesquisadas.

Consumo cresce 3,93% em maio, mas base de sustentação muda no segundo semestre

Dados da ABRAS referentes a maio indicam que, apesar do encarecimento da cesta, o consumo nos lares brasileiros segue em expansão. O indicador Consumo nos Lares cresceu 3,93% na comparação com maio de 2025, com acumulado de 2,47% no ano. Os dados são deflacionados pelo IPCA/IBGE.

O vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan, atribuiu o resultado ao estoque de empregos formais. “O estoque de trabalhadores com carteira assinada segue em patamar elevado, o que contribui para dar previsibilidade ao orçamento das famílias e sustentação ao consumo nos lares”, afirmou. Dados do Novo Caged registram 72.960 vagas criadas em maio e estoque total de 47,8 milhões de vínculos formais.

Parte da sustentação, porém, veio de repasses concentrados no primeiro semestre. O Bolsa Família transferiu R$ 12,9 bilhões em maio, a antecipação do 13º do INSS colocou em circulação parcela de um total estimado em R$ 78,2 bilhões (abril a junho), o primeiro lote de restituição do IRPF 2026 devolveu R$ 16 bilhões e o PIS/Pasep injetou R$ 5,7 bilhões.

Com o encerramento do calendário de antecipação do 13º do INSS em junho e sem novos lotes extraordinários previstos para o terceiro trimestre, o desempenho do consumo no segundo semestre passa a depender mais da dinâmica do emprego formal e da trajetória da inflação de alimentos do que da injeção direta de renda.

*Com informações da Agência Brasil e ABRAS

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