
Bairros populares e de expansão urbana registraram as maiores altas de preço entre os imóveis residenciais das capitais do Nordeste nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZAP de junho. Planalto, em Teresina, acumulou valorização de +43,3%, com metro quadrado a R$ 7.429. Serraria, em Maceió, subiu +27,0% (a R$ 5.845/m²). Cristo Rei, também na capital piauiense, avançou +26,4% (a R$ 5.797/m²). Em Aracaju, Jabotiana acumulou +24,7% (a R$ 4.706/m²). Em Salvador, Brotas, bairro residencial no miolo da cidade, registrou +23,4%, com metro quadrado a R$ 9.917, acima da média da própria capital (R$ 8.570/m²). Em Natal, Barro Vermelho subiu +19,1% (a R$ 4.789/m²).
A pressão de preços não se limita às áreas de menor renda. Em Fortaleza, bairros de classe média também registraram altas de dois dígitos: Fátima avançou +17,9% (a R$ 8.885/m²) e o Centro acumulou +15,0%, com metro quadrado a R$ 9.793, próximo da média nacional de R$ 9.853/m².
O avanço de loteamentos e bairros planejados privados acompanha a pressão de preços nas áreas de expansão. Levantamento da Idealiza Cidades registrou 29 novos bairros planejados lançados no Brasil entre 2020 e 2025. No Nordeste, a Conviver Urbanismo, com sede em Fortaleza, opera em 44 municípios do Piauí, Ceará e Maranhão e acumula mais de 120 empreendimentos lançados e 16 mil clientes atendidos.
“Existe uma demanda crescente por espaços que combinem moradia, trabalho, comércio, serviços e lazer de forma integrada”, afirma Luiz Geddes, CEO da Conviver Urbanismo. No cenário nacional, imóveis com um dormitório lideraram a valorização em 12 meses (+7,30%), enquanto unidades com três dormitórios tiveram a menor alta (+4,31%), dado compatível com o perfil de demanda das áreas de expansão, onde predominam unidades menores.
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Seis das dez maiores altas são de capitais nordestinas
Seis das dez capitais com maior valorização em 12 meses no Índice FipeZAP estão no Nordeste: Salvador (+12,42%), Fortaleza (+10,79%), João Pessoa (+9,42%), Maceió (+8,24%), Aracaju (+8,10%) e São Luís (+7,83%). Natal (+9,44%), Teresina (+7,57%) e Recife (+5,74%) completam a lista: nenhuma capital nordestina ficou abaixo do IPCA (+4,90%). Das 56 cidades monitoradas, 55 registraram valorização em 12 meses. Porto Alegre foi a única capital com recuo no semestre (-0,11%).
Salvador e Fortaleza acumulam três anos consecutivos de valorização acima de 10%. Na capital baiana, a alta anual foi de +16,38% em 2024, +16,25% em 2025 e +12,42% até junho de 2026. Em Fortaleza, a sequência é de +11,49%, +12,61% e +10,79%. São Paulo (+3,84%) e Rio de Janeiro (+4,37%) ficaram abaixo da inflação no mesmo intervalo. O Índice FipeZAP também superou o IGP-M/FGV, que acumula +3,16% em 12 meses e recuou -0,50% em junho. Recife mantém valorização contínua desde 2021: +4,20% naquele ano, +11,35% em 2022, +5,21% em 2023, +6,64% em 2024 e +4,57% em 2025. Na RMR, o município de Jaboatão dos Guararapes acumulou +11,29% em 12 meses e +5,96% no semestre, com preço médio de R$ 6.260/m².
No primeiro semestre, Salvador liderou com +6,23%, seguida por Aracaju (+5,77%), Teresina (+5,08%), Natal (+5,03%) e Fortaleza (+4,61%). A média do índice no semestre foi de +2,42%, abaixo do IPCA acumulado (+3,62%).

Metro quadrado de bairros nordestinos já supera São Paulo
O preço médio de São Paulo ficou em R$ 12.055/m² em junho. Seis bairros em capitais do Nordeste já ultrapassaram esse patamar. Pajuçara, em Maceió, atingiu R$ 14.197/m² (+10,7%). São Marcos e Ponta D’Areia, em São Luís, chegaram a R$ 13.294/m² (+13,7%) e R$ 13.290/m² (+4,4%). Meireles, em Fortaleza, registrou R$ 12.965/m² (+8,3%). Na Barra, em Salvador, o metro quadrado é de R$ 12.932 (+14,1%). Cabo Branco, em João Pessoa, ficou em R$ 12.674/m² (+11,1%).
A valorização nos bairros nobres da região também se destaca. Quintas do Calhau, em São Luís, subiu +23,6% (a R$ 10.776/m²). Coroa do Meio, em Aracaju, avançou +21,7% (a R$ 7.859/m²). Aeroclube, em João Pessoa, acumulou +19,8% (a R$ 9.044/m²). Aldeota, em Fortaleza, registrou +18,2% (a R$ 11.673/m²), próximo do patamar da capital paulista.
As médias das capitais seguem abaixo da referência nacional de R$ 9.853/m² na maioria dos casos. Maceió (R$ 9.966/m²) é a única nordestina acima desse patamar. Fortaleza fica em R$ 9.411/m², Recife em R$ 8.730/m² e São Luís em R$ 8.713/m². Aracaju (R$ 5.697/m²) tem o menor preço médio entre todas as 22 capitais monitoradas. No Recife, Boa Viagem registrou R$ 9.526/m² (+6,0%) e Parnamirim manteve o preço mais alto da capital (R$ 9.961/m²), mas com variação de apenas +0,9% em 12 meses. Imbiribeira (+7,9%), Madalena (+7,8%) e Graças (+7,5%) lideraram a alta entre os bairros recifenses.
Em Aracaju, Jardins (R$ 8.854/m²) custa quase três vezes o valor de São José (R$ 3.104/m²). Em João Pessoa, Cabo Branco (R$ 12.674/m²) supera Castelo Branco (R$ 5.269/m²) em 140%. O Índice FipeZAP monitora preços de anúncios em 56 cidades brasileiras, com base em dados das plataformas Zap, Viva Real e OLX. A referência de inflação de junho de 2026 utiliza o IPCA-15/IBGE como prévia do IPCA.
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