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Apesar do potencial da suas startups, Recife enfrenta escassez de capital

O diagnóstico faz parte do relatório inédito “Avaliação do Ecossistema de Startups do Recife”, do Sebrae/PE, um cenário excelente para investidores
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~4:35
  1. Recife consolida-se como ecossistema eficiente em inovação, mas enfrenta escassez crítica de capital inicial.
  2. Rodadas seed em Recife apresentam mediana de US$ 191 mil, inferior a Uberlândia, Goiânia e Florianópolis entre 2021-2024.
  3. Vinte e quatro por cento das startups locais que captam recursos evoluem para Série A, segunda melhor taxa entre polos similares.
  4. Capital humano diferencia Recife com 92% dos fundadores possuindo experiência técnica e 717,8 estudantes de TI por 100 mil habitantes.
  5. Recife permanece em fase inicial de maturação com menos de mil startups, segundo classificação da Startup Genome.
startups
Startups/Imagem gerada por IA/Criaçaõ Movimento Econômico

O Recife vem se consolidando como um dos ecossistemas de inovação mais eficientes do País na capacidade de fazer startups crescerem, mas ainda esbarra em um gargalo importante: a baixa oferta de capital para empresas em estágio inicial. O diagnóstico faz parte do relatório inédito “Avaliação do Ecossistema de Startups do Recife”, elaborado pelo Sebrae/PE em parceria com a Startup Genome, referência mundial em análise de ecossistemas de inovação.

O estudo mostra que, entre 2021 e 2024, as rodadas seed realizadas por startups recifenses registraram mediana de US$ 191 mil, abaixo de polos considerados semelhantes, como Uberlândia (US$ 309 mil), Goiânia (US$ 240 mil) e Florianópolis (US$ 200 mil). O levantamento considera a mediana dos investimentos justamente para evitar distorções provocadas por operações excepcionais.

Apesar do menor volume de recursos disponíveis, as startups do Recife vêm demonstrando forte capacidade de amadurecimento. Segundo o relatório, 24% das empresas locais que conseguem captar investimentos em fase inicial avançam para rodadas Série A — voltadas à expansão e consolidação dos negócios. O percentual coloca a capital pernambucana atrás apenas de Uberlândia entre os ecossistemas brasileiros de porte semelhante.

Na avaliação da diretora da Startup Genome para a América Latina, Naira Bonifácio, o cenário revela uma oportunidade ainda pouco explorada pelo mercado de investimentos. Segundo ela, o problema não está na qualidade das startups locais, mas na quantidade limitada de capital disponível para financiar os negócios nos estágios iniciais.

“Existe um gargalo de oportunidade nos investimentos iniciais, com poucas rodadas de captação e um volume menor de capital seed, mas isso não significa falta de qualidade. As startups locais têm fundadores extremamente técnicos e com background de negócios. Recife é um local para se tracionar startups”, afirmou.

O levantamento mostra que 92% das startups do Recife possuem ao menos um fundador com experiência técnica e estratégica, enquanto 74% contam com sócios com formação em negócios. Além disso, 52% das empresas têm empreendedores que já haviam criado outros negócios anteriormente.

O capital humano aparece como outro diferencial competitivo do ecossistema recifense. Dados do Censo da Educação Superior apontam que a capital pernambucana lidera o ranking nacional de estudantes de Tecnologia da Informação por habitante, com 717,8 alunos por 100 mil habitantes — cerca de 47% acima de Brasília, segunda colocada. A base é sustentada por instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Cesar School e iniciativas do Porto Digital, como o Embarque Digital.

Menos de mil startups

Mesmo com os avanços, o Recife ainda está classificado na fase de “ativação inicial” no ciclo de maturidade dos ecossistemas de startups da Startup Genome. Nessa etapa estão os polos com menos de mil startups e sem grandes operações de mercado, conhecidas como exits. Atualmente, a estimativa é de que a capital reúna entre 600 e 700 startups. Entre 2020 e 2024, também não foram registradas operações superiores a US$ 100 milhões.

Exit é o termo usado para situações em que uma startup é vendida, abre capital na Bolsa ou recebe um aporte de grande porte que gera retorno significativo para investidores e fundadores.

Em termos compartivos, o levantamento feito pelo Genome – Sebrae For Startups, mostra que São Paulo abriga atualmente cerca de 2 mil startups ativas. O ecossistema foi impulsionado por US$ 841 milhões em investimentos early-stage — destinados a empresas em estágio inicial — e por US$ 1,4 bilhão em exits, operações de venda de startups que geram retorno para investidores e fundadores.

Ter menos de mil startups não significa fragilidade do ecossistema do Recife, alertam os pesquisaodres. Pelo contrário. O estudo do Sebrae mostra que Recife já apresenta características importantes de um ecossistema competitivo: formação robusta de talentos em tecnologia, forte conexão entre empreendedores, capacidade técnica dos fundadores e bom desempenho das startups que conseguem captar recursos.

O principal desafio agora é ganhar escala. Ou seja: aumentar o número de startups, ampliar o acesso ao capital de risco, atrair investidores privados e estimular empresas locais a crescerem globalmente. É justamente esse movimento que costuma levar um ecossistema da fase de ativação para estágios mais maduros, nos quais passam a surgir startups bilionárias, grandes aquisições e maior inserção internacional.

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