
Os Estados Unidos foram o maior investidor estrangeiro no Brasil em 2024 e, ao mesmo tempo, protagonizaram o tarifaço de 2025, que elevou tarifas sobre produtos nacionais. Segundo dados do Banco Central, o estoque de investimento estrangeiro direto no país atingiu US$ 1,141 trilhão, o equivalente a 46,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, US$ 244,7 bilhões, ou 28%, vieram de empresas norte-americanas.
A liderança dos EUA no fluxo de capitais contrasta com a política adotada no ano seguinte pelo governo de Donald Trump, que justificou o tarifaço como medida de “defesa da soberania econômica dos Estados Unidos”. O aumento de tarifas atingiu setores como agroindústria, siderurgia e manufaturados, revelando uma contradição: o maior parceiro em capital estrangeiro tornou-se o principal entrave comercial.
Além dos Estados Unidos, outros países também tiveram participação expressiva no capital estrangeiro destinado ao Brasil. Os Países Baixos responderam por 16% do total, seguidos por Luxemburgo (9%), França (7%), Espanha (7%) e Reino Unido (4%), enquanto Japão, Alemanha, Canadá e Ilhas Cayman completam a lista dos dez primeiros colocados.
Parte desses recursos, no entanto, é canalizada por paraísos fiscais, como Luxemburgo e Ilhas Cayman, usados como centros financeiros intermediários. Quando considerada a origem final dos controladores, os EUA seguem líderes, com 26% do total, à frente de França, Uruguai, Espanha e Países Baixos.
A distribuição setorial também ajuda a explicar o peso dos investimentos. O setor de serviços concentrou 59% do total, com destaque para atividades financeiras e auxiliares, responsáveis por 22% do capital. A indústria respondeu por 29% e a agropecuária e o extrativismo mineral por 12%. Entre os destaques estão a extração de petróleo e gás natural, o comércio, o setor elétrico e a produção de automóveis.
Investimentos mostram vínculo externo da economia brasileira
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, ressalta que a maior parte dessas empresas passa a ser controlada diretamente por investidores estrangeiros. “Tem 100% do capital ou tem o controle da empresa, mais de 50%”, afirma. Para ele, essa configuração reforça o vínculo externo da economia brasileira: “Tipicamente têm uma maior relação com o exterior, com os seus investidores, têm maior conteúdo importado, maior conteúdo exportado”.
O estoque de investimento estrangeiro também reflete uma trajetória histórica de crescimento. Em 1995, equivalia a apenas 6,1% do PIB. Em 2010, subiu para 25,2%, chegando a 34,6% em 2019 e alcançando 46,6% em 2024. Em termos absolutos, o pico ocorreu em 2023, quando o volume superou US$ 1,3 trilhão. A redução em dólares no ano seguinte decorreu da desvalorização cambial, com a taxa passando de R$ 4,84 no fim de 2023 para R$ 6,19 em 2024.
*Com informações da Agência Brasil
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