
A General Motors vai iniciar a montagem do Chevrolet Spark EUV 100% elétrico no Brasil ainda em 2025. O modelo, atualmente importado da China e em pré-venda por R$ 159.990, será produzido na antiga fábrica da Troller, localizada no município de Horizonte, a 43 quilômetros de Fortaleza (CE). A unidade pertence ao governo do estado e está sob administração da Comexport, empresa que ficará responsável por toda a operação fabril, segundo apuração do UOL.
A produção seguirá inicialmente o regime SKD (semi knock-down), em que os veículos são montados a partir de kits parcialmente desmontados enviados do exterior. A previsão é que a nacionalização parcial de componentes ocorra a partir de 2027, de acordo com informações publicadas pelo jornalista Jorge Moraes no site AutoRanking.
O investimento inicial da operação será de R$ 200 milhões, com capacidade estimada de produção entre 30 mil e 40 mil veículos por ano. A fábrica, desativada pela Ford em 2021, passou a funcionar como planta multimarcas voltada exclusivamente para veículos eletrificados após investimentos feitos pela Comexport.
Polo industrial vai abrigar até cinco modelos eletrificados
Além do Spark EUV, a planta cearense deverá receber a montagem de outros dois modelos já em 2026, incluindo o Captiva EV — SUV médio da própria Chevrolet — e um terceiro veículo de uma montadora ainda não divulgada. No total, o projeto prevê capacidade para até cinco modelos diferentes de novas energias.
O representante da Comexport, Rodrigo Teixeira, afirmou que a empresa atuará apenas na montagem dos veículos. “Jamais vamos vender o carro, esse não é nosso negócio. O risco de vender é da marca. Agora a mão de obra e os riscos de produção são meus”, declarou em entrevista ao AutoRanking. Segundo ele, o modelo de operação segue o formato multimarcas já adotado em países como México, Uruguai e nações do Leste Europeu.
Teixeira também informou que a operação utilizará a cadeia de sistemistas já atuante em estados vizinhos. “Vamos utilizar a cadeia de sistemistas com atuação na região, leia-se Pernambuco e Bahia, sem contar no convite para novos fornecedores”, afirmou.
Modelo chega como aposta de entrada na eletrificação da GM
Desenvolvido na China pela joint venture SAIC-GM-Wuling (SGMW), o Spark EUV é um SUV compacto 100% elétrico. Com proposta de ser o modelo mais acessível da marca no Brasil, o veículo conta com autonomia de 258 quilômetros no ciclo INMETRO, carregamento rápido de 30% a 80% em 35 minutos com carregador de 50 kW, e aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos. O modelo também incorpora pacote de segurança completo e conectividade avançada.
A fábrica começará a operar com cerca de 200 funcionários contratados, número que pode ultrapassar 400 postos de trabalho com a consolidação do hub automotivo. O complexo será o centro do Pace – Polo Automotivo do Ceará, que abrigará ainda a chamada Auto Tech Zone Brasil, voltada para soluções de mobilidade elétrica, direção autônoma e desenvolvimento tecnológico.
Incentivos fiscais e estrutura regional reforçam viabilidade
A escolha do Ceará foi estratégica diante da prorrogação dos incentivos fiscais para indústrias do Nordeste até 2032, aprovada na Reforma Tributária. O benefício é apontado como fundamental para viabilizar economicamente a montagem local de veículos elétricos.
O presidente da GM América do Sul, Santiago Chamorro, já havia demonstrado preocupação com a sustentabilidade da política industrial brasileira em entrevista anterior ao UOL. À época, ele afirmou que, mesmo com a alíquota de 25% de imposto de importação para elétricos — que chegará a 35% em 2026 —, os modelos produzidos na China ainda apresentavam maior rentabilidade. “Um Spark feito na China consegue ser mais rentável do que um Tracker, mesmo com os 25% de impostos de importação”, declarou.
Com a operação em Horizonte, a montadora passa a disputar o segmento de elétricos em faixa de entrada no Brasil, após o fim da linha Bolt e antes da chegada do Captiva EV. A expectativa da Comexport é que o modelo de produção compartilhada se consolide como alternativa para reduzir a ociosidade fabril no país, inclusive com potencial replicação em outras unidades automotivas inativas.
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