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Nordeste concentrou 75% das interrupções de energia em 2024

Um estudo da Volt Robotics revelou que 1.445 usinas foram afetadas com corte na venda de energia por determinações do ONS
Energia elétrica Nordeste linhas de transmissão
Interrupções foram motivadas por problemas na infraestrutura de transmissão elétrica/Foto: MME/Divulgação

Em 2024, o setor de energia renovável no Brasil enfrentou desafios significativos devido a cortes na geração de usinas solares e eólicas. Um estudo da consultoria Volt Robotics revelou que 1.445 usinas foram afetadas por determinações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), resultando em aproximadamente 400 mil horas de geração interrompida. Esses cortes, conhecidos como curtailment ou constrained-off, culminaram em prejuízos financeiros superiores a R$ 1,6 bilhão, com mais de 14,6 terawatts-hora (TWh) de energia não gerada.

A região nordestina, que detém os maiores investimentos em energias renováveis no Brasil, foi a mais impactada. A região concentrou 75% das interrupções, o que equivale a cerca de 330 mil horas de geração suspensa. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia lideraram em número de cortes.

Nordeste: estados mais afetados

No Rio Grande do Norte, por exemplo, o Complexo Serra do Mel II B, pertencente à Equatorial Energia, teve 58% de sua produção rejeitada pela rede entre janeiro e início de agosto de 2024.

Muitas empresas estão recorrendo à Justiça para evitar perdas maiores. A Elera Renováveis, subsidiária da Brookfield Renewable, por exemplo, obteve nova liminar na semana passada para evitar prejuízos milionários em nove usinas do Complexo Solar Alex, no Ceará. A medida permitirá que a empresa siga vendendo energia, evitando um impacto financeiro estimado em R$ 46 milhões, algo em torno de 30% do faturamento anual das usinas.

A análise da Volt Robotics indica que problemas na infraestrutura de transmissão elétrica, incluindo subdimensionamento de linhas, atrasos em obras e paradas para manutenção, responderam por 65% das interrupções, enquanto os 35% restantes ocorreram devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda instantânea de energia, especialmente nos finais de semana, quando o consumo é reduzido.

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Energia eólica Bahia parque geração renovável BA Nordeste NE
Parques nos estados da Bahia (foto), Ceará e Rio Grande do Norte foram os mais afetados com cortes de energia no Nordeste/Foto: Ari Versiani/Divulgação

Prejuízos e repercussões

Além dos prejuízos financeiros diretos, os cortes afetaram a viabilidade econômica dos projetos de energia renovável. Empresas como Engie Brasil Energia e Equatorial Energia reconsideraram futuros investimentos no país devido às restrições impostas pelo NOS, conforme noticiou a Reuters. Algumas companhias buscaram compensação judicial pelas perdas incorridas, embora esses processos possam se estender por anos.

A Equatorial chegou a comunicar que “ este não é um ambiente para tomada de decisões sobre novos projetos”, sugerindo que o Brasil já não oferece a segurança jurídica necessária.

Perspectivas e soluções

Para mitigar os impactos dos cortes, a Volt Robotics sugere soluções de curto e longo prazo. Uma medida imediata seria a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) implementar um modelo que distribua os cortes de forma equitativa entre todas as usinas renováveis, evitando concentrações excessivas em determinados empreendimentos. Além disso, é necessário acelerar a conclusão de obras de transmissão para resolver gargalos existentes e criar mecanismos que reduzam a inflexibilidade e o despacho intempestivo de termelétricas, proporcionando mais espaço para fontes renováveis.

Mudanças no consumo de energia também fazem parte das alternativas. A criação de tarifas inteligentes, com preços reduzidos nos horários de maior disponibilidade de energia renovável, estimularia um uso mais equilibrado ao longo do dia. Esse modelo já está em discussão entre a ANEEL e distribuidoras de energia.

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