Sem Carnaval em Olinda, Recife e outras cidades, polo têxtil do Agreste amarga queda na produção

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O polo de confecções do Agreste produz não só para Pernambuco, mas para vários estados brasileiros. E a chamada “modinha de Carnaval”, que atende ao varejo é onde se sente o maior reflexo da retração

Por Patrícia Raposo

Atualizada às 18h38

O cancelamento do Carnaval em várias cidades já está impactando diversos setores da cadeia produtiva, como o têxtil, que sente o reflexo sobre as encomendas. Olinda, um dos maiores polos de Carnaval do Brasil, anunciou nesta manhã de quarta-feira (05) a decisão de suspender a festa, medida que já havia sido tomada por Jaboatão dos Guararapes – o governo municipal vinha comunicado à diversas agremiações carnavalescas a não realização do festejo.

No fim da tarde, foi a vez da Prefeitura do Recife também anunciar a suspensão das programações oficiais para o Carnaval 2022. O prefeito João Campos entende que, mesmo com 83% de toda a população acima de 12 anos com esquema vacinal completo para covid-19 e sem aumento de casos de infecção para o coronavírus, a cidade enfrenta aumento nos casos de gripe. Casos de influenza A H3N2 foram de 8 para 138 casos entre os dias 13 e 29 de dezembro, com picos de até 314 casos em um só dia (27 de dezembro).

O argumento das autoridades é o avanço da covid-19, fator que não dá segurança para a realização da festa. Em Olinda, o professor Lupércio (SD), prefeito da cidade, prometeu pagar auxílio, como fez no ano passado, para ajudar a quem poderia e não vai faturar com a festa. Serão contemplados ambulantes, entidades, grupos e artistas que representam a cultura popular. 

O polo de confecções do Agreste produz não só para Pernambuco, mas para vários estados brasileiros, a chamada “modinha de Carnaval”/foto Pixabay

A decisão dos prefeitos tem rebatimento no polo têxtil do Agreste. “O setor têxtil atacadista está vem sentindo os efeitos da redução da atividade industrial da confecção, principalmente nas cidades que formam o polo de confecções. O final do ano não foi como esperado e os confeccionistas terminaram o ano com estoques altos. O aumento do dólar e os problemas com fretes marítimos atrapalham também a chegada de mercadoria importada”, explica Luverson Ferreira, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (ACIC).

Segundo ele, o movimento que já vinha menor, cai mais agora com o anúncio do cancelamento das festas públicas. “Estamos na expectativa das festas privadas. Estavam certas, mas com esse cenário, não temos mais certeza”, comenta.

Luverson ressalta que no varejo, as vendas de 2020 em relação a 2019 já foram 10% menores no período de Carnaval. De 2021 para 2020, a queda se acentuou, batendo os 38%, já que não houve festa no ano passado.

“Pernambuco tem tradição de Carnaval em várias cidades como Recife, Bezerros, e essa data é muito esperada pelos varejistas, respondendo por parcela importante nas vendas do ano. Realmente o ano de 2022 começou desanimado para o setor”, analisa Luverson Ferreira.

O polo de confecções do Agreste produz não só para Pernambuco, mas para vários estados brasileiros. E a chamada “modinha de Carnaval”, que atende ao varejo é onde se sente o maior reflexo da retração. “A modinha, aquela que define o que vai ser consumido nas festas, se vai ser neon, se vai ser tal cor, é uma produção rápida que atende ao varejo. O atacado planeja mais e mesmo assim vem sendo muito afetado. O atacado produziu no ano passado e não vendeu. Estimamos queda geral de 30% este ano”, diz o presidente da ACIC.

Mesmo assim, não vem ocorrendo demissões no setor. “Como não chegou no novo normal, o empresário nem está nem pessimista, nem otimista. Como não fez grandes contratações no fim do ano, também não está demitindo. Está esperando para ver o que vai acontecer”, explica Luverson Ferreira.

O presidente do Movimento Pró-Pernambuco (MPP), Avelar Loureiro Filho e acionista no Paulista North Way Shopping, concorda com o cancelamento do Carnaval de rua e onde não haja controle sanitário. “Esperamos um novo pico da variante ômicron para o fim de janeiro, mas com reflexos fortes ainda em fevereiro. Desta forma, espera-se que os entes governamentais busquem alternativas ou compensações para os setores diretamente envolvidos na realização desses eventos de rua”, disse

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