
A região Nordeste é a que apresenta maior participação de prestadoras de pequeno porte (PPPs) na oferta de banda larga fixa no Brasil, conforme dados do Relatório de Monitoramento da Competição referente ao segundo trimestre de 2025, divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo o levantamento, as PPPs são responsáveis por 69% dos acessos de banda larga na região. No Nordeste, operadoras como Brisanet, Agility Telecom e JET Fibra são apontadas como exemplos de atuação relevante.
O relatório mostra que, em nível nacional, as PPPs detêm 56,4% do mercado de banda larga fixa. No Nordeste, essa concentração supera a média brasileira, refletindo um cenário de maior pulverização e competição entre os provedores locais. As regiões Centro-Oeste (61%) e Norte (58%) também apresentam percentuais elevados, enquanto o Sul e o Sudeste possuem menor participação das PPPs, com 48% e 35%, respectivamente.
A Anatel atribui esse protagonismo das PPPs nas regiões Norte e Nordeste a um histórico de menor presença de grandes operadoras nesses territórios, o que abriu espaço para o crescimento das empresas regionais. Segundo o relatório, muitas dessas prestadoras operam com infraestrutura própria de fibra óptica, o que tem viabilizado a expansão da cobertura e a melhoria da qualidade do serviço, principalmente em cidades de pequeno e médio porte.
Neste segundo trimestre de 2025, foram registradas 11.951 prestadoras de banda larga fixa autorizadas pela Anatel, somando-se a outras 10.523 que atuam com dispensa de outorga, totalizando cerca de 22,5 mil prestadoras ativas no país. Esse volume expressivo de agentes evidencia a pulverização do mercado e reforça o papel estratégico das PPPs na inclusão digital.
Concentração regional favorece a competição
A agência destaca que o desempenho das PPPs no Nordeste tem contribuído para a redução do Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), métrica que mede a concentração de mercado. No caso da banda larga fixa, o HHI no Brasil se mantém abaixo de 0,07, o menor entre os serviços regulados pela Anatel, indicando um ambiente competitivo mais saudável.
A Brisanet, com sede em Pereiro (CE), lidera em número de acessos em diversos estados da região e é citada no relatório como uma das PPPs com maior crescimento no país, aumentando sua base de clientes móveis em 313% nos últimos 12 meses. Além da telefonia, a empresa é referência em serviços de banda larga e expansão de rede FTTH (fibra até a casa) em áreas urbanas e rurais.
A Agility Telecom, com presença destacada na Bahia e no Rio Grande do Norte, também figura entre as que mais cresceram no último ano, com expansão de 398% em sua base de acessos móveis, conforme os dados compilados pela Anatel. A empresa opera com redes próprias e adota estratégia de crescimento por meio de parcerias com provedores locais.
Já a JET Fibra, concentrada em Pernambuco, mantém crescimento constante em regiões do Agreste e da Zona da Mata, com foco em mercados intermediários e infraestrutura de alta capacidade. O relatório observa que prestadoras como a JET têm contribuído diretamente para que o mercado de banda larga se mantenha desconcentrado, mesmo diante de fusões e aquisições em andamento no setor.
Dados do mercado e desempenho financeiro
A Brisanet, listada na B3 sob o ticker BRIT3, fechou o 1T2025 com 1,29 milhão de clientes em banda larga fixa e presença em mais de 300 municípios, com cerca de 20 mil quilômetros de rede óptica implantada. No mercado de capitais, a empresa mantém foco na expansão orgânica no Nordeste e também no Centro-Oeste, com previsão de novas captações para infraestrutura nos próximos trimestres.
Além disso, dados da PNAD TIC (IBGE/Cetic.br) apontam que o Nordeste segue como a região com menor índice de domicílios com internet fixa (74%), embora apresente as maiores taxas de crescimento proporcional, puxadas justamente pelas PPPs.
A Anatel reforça que, “ao comparar o HHI médio em municípios com presença de prestadoras de pequeno porte e medidas regulatórias assimétricas, observa-se uma redução de até 22% na concentração de mercado”, o que evidencia a relevância dessas empresas para um ambiente de competição sustentável.
Em contrapartida, o mercado de telefonia móvel segue altamente concentrado, com as três maiores operadoras – Vivo, Claro e TIM – controlando 95,2% dos 266,1 milhões de acessos ativos no país, segundo os indicadores estratégicos do relatório. Esse contraste ressalta a importância das PPPs na banda larga como instrumento de desconcentração e inclusão digital.
Outros serviços: voz e audiovisual
O relatório também aponta mudanças nos padrões de consumo em outros segmentos de telecomunicações. Mais de 50% do mercado de voz já é atendido por serviços OTT (Over-The-Top), como WhatsApp e Telegram, que utilizam apenas a internet para chamadas de voz e vídeo. Essa tendência representa um deslocamento dos serviços tradicionais de telefonia para plataformas digitais.
No setor audiovisual, os serviços de streaming responderam por 89,9% do mercado no segundo trimestre de 2025, enquanto a TV por assinatura ficou com menos de 10%, após perder 1,35 milhão de acessos no período. O estudo da Anatel destaca a substituição gradual da TV paga tradicional pelos serviços sob demanda, fenômeno já consolidado especialmente entre os consumidores de renda média nas regiões Norte e Nordeste.
Infraestrutura ainda é desafio
Apesar do avanço das PPPs, o relatório da Anatel indica que o Nordeste ainda concentra o maior número de municípios sem cobertura de backhaul de fibra óptica, especialmente nos estados do Maranhão, Piauí e norte da Bahia. Essa limitação afeta a capacidade de expansão da rede em localidades mais afastadas e reforça a importância de políticas públicas voltadas para a interiorização da infraestrutura de telecomunicações.
A agência alerta que, mesmo com a cobertura de backhaul em mais de 94% dos municípios do país, os municípios com menor número de ofertantes coincidem com as áreas que ainda carecem de infraestrutura de fibra, como observado em diversas regiões do Semiárido.
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