- Publicidade -

Com R$ 1 milhão e águas do Velho Chico, casal produz 1º vinho fino na PB

Novos rótulos de vinho fino produzidos no Sertão paraibano transformam a rota do enoturismo no país e são resultado do empreendedorismo beneficiado pela transposição do Rio São Franscisco
- Publicidade -
Casal da Paraíba cria primeiros rótulos de vinho fino do estado e altera rota do enoturismo do país.
Herta Sônia e Jorismar Gonçalves tiveram a ideia de criar rótulos após viagem à Europa. Foto: Divulgação

Tudo começou como um hobby para o casal paraibano Jorismar Gonçalves e Herta Sônia que, durante uma viagem pela Europa, visitou os principais países produtores da bebida. Em 2022, ao passar pela cidade de Bordeaux, na França, surgiu a inspiração para empreender no ramo. Foi ali que nasceu a ideia de criar uma vinícola, o que culminou na fundação da Chateau HS, responsável pelos primeiros rótulos de vinho fino produzidos no município de Sousa, Paraíba, a 373 quilômetros da capital João Pessoa.

Jorismar conta que a motivação surgiu ao perceber que a cidade francesa, apesar de pequena, abrigava uma grande quantidade de vinícolas. “Mas por que na Paraíba não tem nenhuma?”, questionou-se. Foi então que, ao retornar para casa, o casal começou a estudar o cultivo de uvas para produção de vinho e percebeu que, apesar da diferença de temperatura entre a cidade europeia e a cidade nordestina, seria possível iniciar o plantio.

“A gente sempre teve a impressão de que seria necessário um clima frio, mas um exemplo para a gente foi o estado de Pernambuco, onde em Petrolina ocorre a produção de uvas para vinhos”, relata.

Vinícola Chatêau HS, na Paraíba, possui uma área de 6 hectares.
Dos 6 hectares, apenas um foi utilizado para o cultivo de 23 espécies de uvas. Foto: Divulgação

Adaptação e desafios no início do cultivo de uvas

O casal viajou até Petrolina, onde pôde compreender como se dava o cultivo em climas mais quentes e solos mais secos. “Nos espelhamos devido à similaridade que existe entre nós. Somos sertanejos, um clima parecido, variação de temperatura parecida, índice pluviométrico semelhante. Além disso, tínhamos algo em comum: a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco”, conta Jorismar.

Ao retornar para a cidade natal, o empresário investiu R$ 350 mil em um lote de 6 hectares próximo ao Açude de São Gonçalo, onde desaguam as águas do Rio São Francisco, o que permitiu a irrigação das plantações.

A maior dificuldade no início do cultivo das uvas, conta Jorismar, foi a falta de mão de obra especializada. “As pessoas não tinham o domínio da cultura, então tive que trazer mão de obra de fora e passar a treinar os trabalhadores locais.”

Para garantir a sustentabilidade do cultivo de uvas na região de baixo índice pluviométrico, os empresários implementaram o sistema de fertirrigação — irrigação por gotejamento, que fornece água e nutrientes de forma eficaz às videiras.

As espécies de uvas escolhidas para a produção dos vinhos foram quatro: Malbec, Syrah, Tannat e Touriga Nacional — sendo as três primeiras de origem francesa e a última, portuguesa. Outras 19 variedades também foram plantadas em menor escala para fins de avaliação. Ao todo, foram plantadas 3 mil mudas.

 Os rótulos levam os nomes de “Nozze d’Argento” e “Abelisaurus”, sendo o primeiro uma referência aos 25 anos de união do casal e o segundo uma homenagem à alcunha da cidade, conhecida como “Vale dos Dinossauros”, por abrigar pegadas de uma espécie abundante na região.
Os rótulos “Nozze d’Argento” e “Abelisaurus” homenageiam os 25 anos do casal e a cidade de Sousa, o “Vale dos Dinossauros” – Foto: Divulgação

Primeiros rótulos de vinho fino 100% paraibano

A primeira safra rendeu uma tonelada de uvas, suficiente para produzir as primeiras 600 garrafas de vinho fino 100% produzido na Paraíba. Os rótulos levam os nomes de “Nozze d’Argento” e “Abelisaurus”, sendo o primeiro uma referência aos 25 anos de união do casal e o segundo uma homenagem à alcunha da cidade, conhecida como “Vale dos Dinossauros”, por abrigar pegadas de uma espécie abundante na região.

Além desses, um vinho branco também foi produzido, porém apenas para fins de avaliação. “Esse vou deixar bem guardadinho. Quem sabe no futuro?” brinca o empresário.

Os rótulos foram desenvolvidos pela empresa Ser Digital do Recife, assim como as garrafas utilizadas para o envase dos produtos. Já as rolhas são importadas diretamente de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

Apesar da estatura pequena, a vinícola possui uma estrutura robusta com 13 tanques e câmaras de resfriamento, uma câmara fria, além de um laboratório de pequeno porte. Segundo o empresário, os investimentos na vinícola já ultrapassaram a casa de R$ 1 milhão.

Enoturismo como estratégia da Vinícola Chateau HS

Apesar da novidade ter chamado a atenção de autoridades locais e de distribuidoras interessadas no produto, Jorismar conta que o foco da Chateau HS será apenas no enoturismo, visando atrair turistas interessados em conhecer os vinhos produzidos na cidade.

“O que pode acontecer mais à frente é a gente entrar no e-commerce, mas eu quero manter esse padrão de exclusividade. Não quero concorrer com outros mercados”, explica. Porém, ele não descarta a possibilidade de atingir outros estados futuramente.

No fim do último mês, o casal de empreendedores realizou um evento para marcar o lançamento oficial dos dois rótulos da primeira safra de uvas. A apresentação dos vinhos contou com a presença de cerca de 600 pessoas, reforçando o potencial da vinícola como nova referência no enoturismo nordestino.

Leia mais:

Vinícola sergipana quer produzir 10 mil litros até o final do ano

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -