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Bahia vence Piauí e recebe 1ª fábrica de baterias da Windey Energy no Brasil

Windey Energy, terceira maior fabricante eólica do mundo, instala fábrica de baterias em Camaçari com R$ 100 mi e 1,5 GWh/ano. Operações iniciam no 1º semestre de 2027
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  1. Bahia vence disputa com Piauí para fábrica de baterias
  2. Windey Energy investe R$ 100 milhões em cinco anos
  3. Fábrica terá capacidade produtiva de 1,5 GWh por ano
  4. Início das operações previsto para 2027
  5. Bahia é escolhida como quartel-general da Windey na América Latina
Lançamento da pedra fundamental da fábrica de baterias BESS da chinesa Windey Energy em Camaçari contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Foto: Thuane Maria/GOVBA
Lançamento da pedra fundamental da fábrica de baterias BESS da chinesa Windey Energy em Camaçari contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Foto: Thuane Maria/GOVBA

O Piauí disputou com a Bahia a instalação da primeira fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias do Brasil, e a decisão só foi anunciada nesta terça-feira (9), durante o lançamento da pedra fundamental no Polo Industrial de Camaçari (BA).  A Windey Energy, terceira maior fabricante de equipamentos eólicos do mundo com mais de 40 GW em capacidade instalada e presença em mais de 40 regiões além da China, investirá R$ 100 milhões em cinco anos na unidade de BESS (Battery Energy Storage Systems), com capacidade produtiva prevista de 1,5 GWh por ano e início das operações no primeiro semestre de 2027. A Bahia foi escolhida como quartel-general da empresa para a América Latina, segundo o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão.

Dos R$ 100 milhões previstos, cerca de R$ 30 milhões serão aplicados já no primeiro ano de implantação. O calendário não é casual: a fábrica precisa atender as regras de nacionalização exigidas para os contratos de potência em armazenamento que começam a fornecer energia em agosto de 2028, segundo a própria empresa. A Windey também busca credenciamento no Finame para acesso a linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que ampliará a competitividade da empresa em relação a fornecedores estrangeiros.

“O apoio do governo, os incentivos que teremos e todo o trabalho realizado para viabilizar o projeto foram fundamentais”, afirmou Galvão. As negociações ganharam força durante missão oficial na China em 2025, quando o governador Jerônimo Rodrigues e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa apresentaram as potencialidades da Bahia ao grupo. “Nós assinamos esse acordo lá na China, mais ou menos um ano e meio atrás, com o presidente Lula presente, e ele até brincou comigo: ‘Olha, você tem um desafio: ou a Bahia ou o Piauí’. Meu coração já tinha decidido, porque sou baiano”, declarou Galvão.

O governador Jerônimo Rodrigues destacou que a escolha da Windey não foi aleatória. “A Windey fez estudos sobre os melhores lugares para se instalar uma planta industrial e escolheu o Nordeste, a Bahia, que possui terras com os melhores potenciais de vento e de sol, além da biomassa. O complexo que estão instalando aqui para baterias não diz respeito apenas a uma energia ou a outra, mas a um conjunto para garantir o armazenamento”, afirmou. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Aécio Moreira, atribuiu a escolha ao programa estadual de atração de investimentos em energia renovável. “É um investimento robusto, um segmento que tem gerado muito emprego, não só no polo regional, mas em toda a Bahia, tanto na fase de implementação quanto na operação dos sistemas”, afirmou.

Windey reforça ecossistema renovável de Camaçari

Polo Industrial de Camaçari, maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul com mais de 80 empresas50 mil empregos e faturamento anual de US$ 15 bilhões, vive um novo ciclo de atração de investimentos em energia limpa. A BYD instalou sua fábrica de carros elétricos no polo com investimento superior a R$ 5 bilhões. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), retomou a produção em janeiro de 2026 através da Petrobras e a Goldwind reforça o setor eólico no complexo.

A chegada da Windey mira um problema estrutural do Nordeste: o curtailment, redução forçada de geração por falta de capacidade na rede de transmissão, que torna o armazenamento em baterias uma solução estratégica para a região. Além dos sistemas BESS, a empresa planeja expandir o portfólio no país para atender demandas de geração solar, eólica, transmissão e grandes consumidores industriais.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, destacou o alcance do projeto. “Estamos falando da perspectiva de criar soluções, de habilitar uma indústria da energia, aproveitando o vento, que a Bahia tem em abundância, para produzir energia”, afirmou.

Empregos e formação de mão de obra

A nova unidade operará com alto nível de automação — modelo similar na China já opera com 98% de automatização — e deve alcançar entre 70 e 120 profissionais em operação plena, segundo Galvão. “Vamos fazer um investimento, nos próximos anos, de R$ 100 milhões dentro dessa fábrica, incluindo aquisição de máquinas, importações e recursos humanos”, afirmou.

O governo estadual projeta 500 empregos diretos e indiretos. A Windey também firmará parcerias com o Senai Cimatec e outras instituições para capacitar trabalhadores em funções operacionais, técnicas e de ensino superior, contribuindo para atender à demanda de mão de obra especializada gerada pelos novos investimentos. A instalação da fábrica é a segunda etapa da presença da empresa no Brasil: em 2025, a Windey inaugurou seu escritório nacional e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento com o Senai Cimatec, em Salvador.

*Com informações do Governo da Bahia

Leia mais: Com R$ 100 mi na BA, chinesa Windey quer ser 1ª a fabricar baterias BESS no país

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