
Roubo de cargas nas rodovias, ataques digitais a sistemas corporativos e circulação de mercadorias ilegais formam o tripé de insegurança que pressiona os custos da indústria brasileira e agrava o Custo Brasil, segundo pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta terça-feira (9). O levantamento, realizado pela Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados com 1.003 executivos de indústrias de todos os portes entre 12 de março e 7 de abril de 2026, apurou que 62% das empresas têm custos finais elevados por gastos com segurança no transporte, 45% afirmam que os investimentos gerais em segurança encarecem o preço dos produtos e 81% consideram que a insegurança contribui diretamente para o Custo Brasil. Estudo anterior da entidade — a Sondagem Especial nº 101, de 26 de maio — estimou em mais de R$ 107 bilhões por ano o custo total da insegurança para a indústria.
Os dados serão apresentados nesta terça-feira (9), às 15 horas, no Plenário 3 da Câmara dos Deputados, em audiência pública da Comissão Externa sobre Pirataria, que debate estratégias integradas de combate à pirataria, ao contrabando, ao descaminho e à evasão fiscal. O coordenador do colegiado, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmou que “cerca de 85% dos delitos no país possuem motivação econômica, drenando recursos que deveriam financiar políticas públicas e gerando uma concorrência desleal que asfixia a indústria nacional”.
Custo Brasil: roubo de cargas e ataques digitais
Nas estradas, 20% das indústrias sofreram roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. Das ocorrências, 68% aconteceram diretamente nas rodovias, muito acima de áreas urbanas ou armazéns. Entre os itens mais visados, fios e cabos lideram com 60% das ocorrências, seguidos por ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos de produção (23%). Apenas 4% dos empresários disseram ter visto melhora no cenário de segurança nos últimos cinco anos.
No ambiente digital, uma em cada seis empresas registrou incidentes como vazamentos de dados ou sequestro de sistemas nos últimos cinco anos. Entre as vítimas, 30% tiveram perdas financeiras diretas por fraude ou pagamento de resgate de dados. Para proteção, 75% das empresas realizam backups regulares, 67% investem em softwares de segurança, 45% implementam políticas de acesso e senhas robustas, 38% treinam funcionários e 34% contratam especialistas em cibersegurança.
“São dados muito preocupantes porque a segurança da informação é crucial para o negócio. Esse tipo de crime traz prejuízos diferentes, como perdas financeiras, perturbações operacionais, danos à reputação, responsabilidades legais, danos físicos ou até riscos à segurança nacional”, destaca Cassio Borges, assessor especial da presidência da CNI.
Mercado ilegal e demandas ao poder público
A insegurança também alimenta a concorrência desleal: 53% dos industriais acreditam que ela impulsiona a circulação de mercadorias roubadas e fortalece o mercado informal, e 32% consideram altos ou muito altos os reflexos negativos na competitividade das empresas. Segundo Lopes, “cerca de 85% dos delitos no país possuem motivação econômica, drenando recursos que deveriam financiar políticas públicas e gerando uma concorrência desleal que asfixia a indústria nacional”.
Entre as demandas ao poder público, 54% pedem aumento do policiamento em áreas industriais e 53% cobram reforço da segurança em rodovias e no transporte de cargas. Para 41%, os órgãos de segurança pública estaduais são os que mais precisam de fortalecimento, seguidos pela Polícia Federal (38%) e pela Receita Federal (36%).
“A segurança patrimonial é um aspecto fundamental das operações industriais. Esse levantamento revela que os reflexos da insegurança é mais um elemento que contribui para Custo Brasil, já que aumenta os custos, exigindo medidas relacionadas à infraestrutura e logística, além de afetar os dados sensíveis das empresas, ou seja, a segurança das informações. O investimento nessas áreas é considerado essencial para proteger vidas e ativos, além de evitar prejuízos operacionais e reputacionais”, avalia Cassio Borges, assessor especial da presidência da CNI.
*Com informações da CNI
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