
O Banco do Nordeste vai apoiar com R$ 1,028 milhão o projeto “Inovação e Socioeconomia Circular na Lagoa Mundaú”, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), que beneficia marisqueiras que atuam no reaproveitamento das conchas de sururu como matéria-prima para a fabricação de produtos de maior valor agregado em Maceió.
A iniciativa foi selecionada no edital do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), do BNB, na categoria Desenvolvimento Territorial Sustentável e Regenerativo, recebendo recursos da instituição para realização das ações programadas.
O Fundeci é um instrumento do BNB responsável pelo apoio financeiro não reembolsável a projetos de pesquisa, inovação, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade, com foco no fortalecimento da competitividade de empresas e instituições da região Nordeste e do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
A proposta é que o projeto consiga aumentar em 30% a base de marisqueiras integradas formalmente à cadeia produtiva das conchas de sururu com o direcionamento dos recursos.
Segundo a coordenadora das ações do projeto, Roberta Roxi, as atividades implementadas visam fortalecer oportunidades de trabalho local, ampliar a geração de renda e criar possibilidades de qualificação profissional para moradores da própria comunidade, promovendo a reestruturação da linha de produção e do reaproveitamento das conchas, que servem como matéria-prima na produção de elementos para arquitetura e construção civil, a exemplo de cobogó e revestimento de parede.
“Estamos focando na inovação e na modernização da linha produtiva, com introdução de novos equipamentos, reorganização do layout operacional, padronização de processos e monitoramento por indicadores de desempenho. Essas melhorias visam aumentar a eficiência da produção, reduzir desperdícios e melhorar as condições de trabalho no espaço fabril”, atesta a coordenadora.
Ainda de acordo com Roberta, a iniciativa pretende fortalecer a participação das marisqueiras ao integrá-las de forma mais estruturada à cadeia de fornecimento das conchas de sururu, reconhecendo seu papel como agentes centrais da socioeconomia circular local. Além disso, com a implementação dos novos moldes, é esperado que haja uma redução de 5% nos custos de produção e o aumento de 10% na produtividade do Entreposto Sururu.
“Além da remuneração pelo resíduo antes descartado, a proposta amplia a inserção produtiva das mulheres, fortalece sua autonomia financeira e contribui para a valorização do trabalho feminino em uma atividade historicamente invisibilizada. Ao gerar nova renda e ampliar o protagonismo das marisqueiras, o projeto avança também na promoção da equidade de gênero dentro da economia local”, destaca.

Sururu movimenta economia criativa em Maceió
Além de patrimônio imaterial de Alagoas, o sururu tem movimentado a economia no bairro do Vergel do Lago, em Maceió com ações que reaproveitam a casca e geram oportunidade de renda para famílias locais.
Paralelo aos projetos desenvolvidos pelo IABS, o Instituto Mandaver desenvolveu em 2021 a moeda social Sururote, que é utilizada pela comunidade de marisqueiras do bairro.
A operação da moeda social é realizada pelo Banco Laguna, dentro de uma dinâmica que contribui para a circulação de recursos no próprio território. Cada Sururote equivale a R$ 1 e tem contribuído para movimentar a economia local.
Em parceria com o IABS, 21 marisqueiras vendem as conchas do sururu para o IABS Empresa Social, e recebem o pagamento em Sururotes, que pode ser gasto em estabelecimentos da região.
Este grupo também contribui para manter a unidade fabril pertencente ao projeto Sururu: Conchas que Transformam. Em parceria com a empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, mais de 500 toneladas de conchas do molusco foram retiradas das ruas e reaproveitadas, gerando mais de R$ 800 mil em renda geral na comunidade.
Em 2020 a Portobello se uniu à iniciativa, para gerar alternativas de renda, trazer mais qualidade de vida para a comunidade e diminuir os impactos ambientais das conchas de sururu. Agora, essas conchas se transformam em produtos inovadores e de valor agregado, revertendo o lucro para a população local. Já foram lançadas três linhas de revestimentos criados a partir da casca do sururu, a Cobogó Mundaú, Solar e Fita.
Em maio deste ano, a prefeitura de Maceió passou a comprar cerca de 280 quilos mensais do produto, para atender aproximadamente três mil alunos das cinco escolas contempladas para o projeto piloto que vai inserir o sururu no cardápio alimentar.
A expectativa é que a venda do sururu para a rede municipal de ensino amplie a renda das marisqueiras. A maior comercialização mensal registrada pela cooperativa fornecedora girava em torno de R$ 2,5 mil. Com a entrada das escolas municipais no processo de compra, a estimativa é que esse valor alcance cerca de R$ 13 mil mensais.
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