
O caju nordestino, historicamente concentrado na produção de sucos, cajuína e castanha, passou a integrar a formulação de bebidas alcoólicas prontas para consumo em ao menos cinco marcas lançadas ou consolidadas entre 2024 e 2026. O segmento de Ready to Drink (RTD) registrou crescimento de 11% em volume em 2025 em relação ao ano anterior, segundo dados da Nielsen, e responde por 8% do mercado brasileiro de bebidas e alimentos — setor que movimentou R$ 1,277 trilhão em 2024.
O lançamento mais recente no segmento é a Crystal Ice Caju, bebida produzida com vodca, saquê e suco natural de caju proveniente de produtores do Nordeste, pelo Grupo Petrópolis, fabricante da marca Crystal. Com distribuição a partir de abril e teor alcoólico de 5%, o produto integra a linha Crystal Ice ao lado dos sabores Limão, Frutas Vermelhas e Frutas Amarelas. A empresa projeta direcionar metade da produção para os estados nordestinos. A fabricação ocorre em cinco unidades industriais: Itapissuma (PE), Boituva (SP), Uberaba (MG), Teresópolis (RJ) e Rondonópolis (MT).
“Estamos lançando um novo sabor de Crystal Ice acompanhando a tendência do crescimento de RTDs em todo o mercado de bebidas alcoólicas. Como estratégia da companhia, queremos reforçar as nossas marcas nessa categoria para atrair novos consumidores e estamos muito felizes com o lançamento exclusivo do sabor caju, uma fruta típica do Nordeste”, afirma Cristiane Rosa, Head de Marketing de Categorias e Consumer Insights do Grupo Petrópolis. “Além disso, o uso do suco da fruta de caju vinda do Nordeste reforça nosso olhar para a valorização de ingredientes nacionais e para a diversidade de sabores do país”, acrescenta.

Pitú mistura caju com aguardente
O Grupo Petrópolis posiciona o Crystal Ice Caju como o primeiro RTD do segmento ice — combinação de destilado neutro com suco natural — feito com caju de origem nordestina. A afirmação não abrange o mercado de bebidas mistas à base de cachaça, onde a Pitú, fabricante pernambucana, antecedeu o lançamento.
Em 2025, a Pitú incluiu o caju em sua linha de coquetéis prontos com o lançamento da Pitú Caju, disponível em lata de 350ml a R$ 5,00 a unidade e garrafa de 965ml a R$ 20,00, com teor alcoólico de 17,5%. A empresa projetava crescimento de 26% no faturamento do segmento de bebidas mistas naquele ano e posicionou o produto para alcançar consumidores da geração Z, millennials e mulheres.

Cervejas artesanais com caju em competições nacionais
No segmento artesanal, o caju nordestino figura entre os ingredientes de cervejas premiadas em competições nacionais desde 2024. A Aratinga Fruit Beer, produzida pela Cooperativa da Cajucultura Familiar do Nordeste da Bahia (Rede Cooperacaju), com sede em Ribeira do Pombal (BA), foi eleita melhor cerveja artesanal do Brasil na categoria Ale no Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024.
A bebida, desenvolvida em parceria com a Cervejaria Dragornia, de Feira de Santana (BA), tem teor alcoólico de 4,3% e é produzida a partir do pedúnculo do caju — parte suculenta descartada no processamento industrial da castanha —, com geração de renda para 750 famílias de agricultores familiares, quilombolas e indígenas vinculados à cooperativa. Comercializada em caixa com 12 unidades a R$ 240,00 (R$ 20,00 a unidade), a Aratinga lançou novo formato em long neck de 355ml em outubro de 2025 para ampliar a distribuição nacional.
Também em 2025, a Proa Cervejaria, de Salvador (BA), obteve medalha de prata na Copa Cerveja Brasil com a Sour de Caju, na categoria German and Other European Origin Ales — competição organizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). A Bahia concentra o maior número de microcervejarias artesanais do Nordeste, segundo dados da Abracerva e do Sebrae (2024), com a região respondendo por 12% das microcervejarias brasileiras e crescimento médio anual de 15%.
Em março de 2026, a Cacacu Wood, da Cervejaria Patanegra, de Pinhais (PR), recebeu medalha de ouro na categoria Best of Show no 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, em disputa com 2.700 rótulos de 175 estilos. A receita combina caju, cajá e cupuaçu, com maturação de dois meses em barris de Amburana.

Vermutes e bebidas compostas
O caju está presente ainda em segmentos de menor escala industrial. A Companhia dos Fermentados produz o Vermú, vermute artesanal elaborado com vinho de caju orgânico, botânicos brasileiros — entre eles jerivá, catuaba e jurubeba — e fermentação natural sem adição de sulfitos, com 15% de teor alcoólico, em garrafa de 750ml a R$ 134,00.
A Di.Vino comercializa vermute à base de caju com especiarias secas, álcool de cereais e vinho moscatel, também a 15% de teor, em garrafa de 750ml. Em Fortaleza (CE), o Caju Encantado — à base de cajuína, vinho de caju, cachaça e xarope de frutas — integra o portfólio de produtos associados ao título da cidade como Cidade Criativa do Design pela Unesco.
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